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Artigos

  • Presença de Drummond

    Tribuna da Imprensa (Rio de Janeiro - RJ) em, em 30/10/2002

    Às 16 horas de hoje, no calçadão da Avenida Atlântica do Rio de Janeiro, será inaugurado um monumento a Carlos Drummond de Andrade, semelhante ao de Fernando Pessoa num café de Lisboa. Uma estátua do nosso poeta nacional, de tamanho natural, mostrar-se-á sentada num banco do Posto 6, o mesmo que o poeta usava, diante do mar.

  • A verdade na política

    Tribuna da Imprensa (Rio de Janeiro - RJ) em, em 23/10/2002

    Teve o chefe do Judiciário paraibano, Desembargador Marcos Antonio Souto Maior, a excelente idéia de, em comemoração aos 111 anos do Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba, organizar um seminário sobre seis paraibanos ilustres na palavra de seis membros da Academia Brasileira de Letras.

  • E assim era e foi

    Tribuna da Imprensa (Rio de Janeiro - RJ) em, em 16/10/2002

    Como base primeira e mais forte da memória, costuma a infância povoar, com sua mistura de encanto, mistério e medo, uma boa parte das narrativas que o homem faz para inventar a vida. Ou entendê-la. Quem reler o livro de James Joyce, "Retrato do artista quando jovem", descobrirá (às vezes, a primeira leitura não é suficiente para tanto) o muito que se concentra nos movimentos iniciais do corpo e da mente jovens, em busca do entendimento de si mesmos e do resto do mundo. As palavras do começo da história são claramente infantis e fazem pensar que o livro se destina a crianças (o que não deixa de ser verdade). Ei-las:

  • O outro Joyce

    Tribuna da Imprensa (Rio de Janeiro - RJ) em, em 09/10/2002

    Dei-me, em certa noite africana, ao exercício de selecionar os romancistas da primeira metade do século passado que de perto me tocassem mais. De qualquer ângulo que examinasse o tema, o nome de Joyce Cary me aparecia logo. Ninguém executou e compreendeu a função de ficcionista com mais alegria e precisão do que este inglês de estilo direto e claro.

  • O nosso faroeste

    Tribuna da Imprensa (Rio de Janeiro - RJ) em, em 02/10/2002

    Em parecer que escrevi para o editor Peter Owen, de Londres, sobre livros brasileiros cuja tradução para o inglês recomendo, comecei pelo romance "O tronco", de Bernardo Elis, pois nele vejo a mais vigorosa marca daquilo que chamo de "ocupação de território literário" no Brasil. A história de nossa formação como povo e como nação emerge, em traços fortes, dos relatos feitos como ficção, mas com uma realidade que supera as minúcias da historiografia.

  • A longa caminhada

    Tribuna da Imprensa (Rio de Janeiro - RJ) em, em 25/09/2002

    No mesmo ano em que Wilson Martins conquista o maior prêmio literário do País - o Machado de Assis, para conjunto de obra, da Academia Brasileira de Letras - a mesma Academia lança um livro definitivo sobre o modernismo brasileiro, do próprio Wilson Martins, chamado "A idéia modernista", depois do qual não mais se poderá falar do movimento de 22 e de sua profunda influência no pensamento do país sem que se vá às suas páginas.

  • Dom Lucas, o apóstolo

    Tribuna da Imprensa (Rio de Janeiro - RJ) em, em 18/09/2002

    Tínhamos um apóstolo entre nós. Perdemo-lo. A missão apostolar de Dom Lucas Moreira Neves, exerceu-a ele na sua vida normal de sacerdote, mas também no haver levantado, nos seus escritos, a memória de sua terra e de seu povo. Memória é base, sem ela caem as estruturas que nos fazem gente. A memória ilumina a sombra, passa por cima da nossa temporalidade, país sem memória está morto, e não sabe. A memória, guardamo-la em pedra ou música, em pergaminhos, pinturas, pontes, castelos ou catedrais. Guardamo-la, principalmente, na palavra.

  • Diante de Bertrand Russel

    Tribuna da Imprensa (Rio de Janeiro - RJ) em, em 21/08/2002

    Com ele me encontrei há 51 anos, quando o filósofo inglês se aproximava dos 80. Foi em Estocolmo, nas vésperas do dia em que Russell recebeu o Prêmio Nobel. Eu fora convidado pelo Comitê Nobel para assistir à entrega, que seria feita a dois escritores: William Faulkner, por 1949, e Russell, por 1950. A cerimônia Nobel ocorre sempre a 10 de dezembro, data da morte de Alfred Nobel, o criador do prêmio.

  • Cultura de encomenda

    Tribuna da Imprensa (Rio de Janeiro - RJ) em, em 14/08/2002

    Desde 1964 têm editoras brasileiras lançado coleções de livros subordinados a temas. Das primeiras foi a de Guimarães Rosa, Otto Lara Resende, Carlos Heitor Cony e outros. Assunto: os sete pecados capitais. De então até hoje outras coleções vieram provar a atração que uma literatura temática exerce sobre grande número de leitores. De repente, surgem contestações: o escritor não deve aceitar encomenda.

  • Heidegger e a linguagem

    Tribuna da Imprensa (Rio de Janeiro - RJ) em, em 07/08/2002

    A presença de Martin Heidegger na filosofia do século passado obrigou o homem de nossa época a alterar posições e repensar diretrizes. Se o existencialismo de Kierkegaard possuía um caráter de angustia intensamente exprimida (e talvez por isso mesmo fosse mais intensamente existencialista), faltava-lhe um método para que suas idéias se enfeixassem num sistema ao agrado das correntes filosóficas normais.

  • Lukacs e o romance

    Tribuna da Imprensa (Rio de Janeiro - RJ) em, em 24/07/2002

    O Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, dado este ano ao nosso melhor crítico, Wilson Martins, chama a atenção para um lado, que é dos mais trabalhosos, da literatura, responsável pelo aferimento do que fazemos, ou pensamos fazer, quando mergulhamos na palavra. A bibliografia do premiado revela uma dialética de pensamento que nos mostra, e à nossa literatura, como donos de um caminho singular, próprio, seja em que gênero for. Em homenagem ao maior prêmio do País concedido a Wilson Martins, desejo tratar hoje de um mestre da crítica, George Lukacs, que, no século passado, abriu caminhos e ditou rumos.

  • Genolino e a crônica

    Tribuna da imprensa (Rio de Janeiro - RJ) em, em 17/07/2002

    Vivemos sob o império do Tempo, que talvez devesse estar sempre escrito com T maiúsculo. Não só escrito, mas também dito, pondo-se uma ênfase na pronúncia da palavra, de tal modo que se entenda logo que falamos de coisa muito séria. A palavra grega "chronos" ficou na memória dos povos e serviu de base a discursos e conceitos.

  • Presença de Faulkner

    Tribuna da Imprensa (Rio de Janeiro - RJ) em, em 10/07/2002

    Quarenta anos depois da morte de William Faulkner, anuncia-se no Brasil a publicação de um de seus primeiros escritos: uma série de 17 contos, de 1925, só recuperados em 1957, quanto Faulkner já conquistara o Prêmio Nobel de Literatura (atribuído em 1949 e recebido em 1950). Foram esses contos traduzidos agora no Brasil, com edição marcada para breve. Título original: "New Orleans Sketches", tradutor: Leonardo Fróes, edição da Jusé Olympio Editora.

  • As raízes da escravidao

    Tribuna da Imprensa (Rio de Janeiro - RJ) em, em 03/07/2002

    Não é mais possível que se entenda e avalie a realidade da escravidão africana no mundo e no Brasil sem o extraordinário levantamento feito por Alberto da Costa e Silva no seu livro de mais de mil páginas, "A manilha e o libambo: a África e a escravidão, de 1500 a 1700". Antes havia ele estudado, em "A enxada e a lança", a mesma África no período que foi até a chegada dos portugueses ao continente negro.

  • Nossos livros lá fora

    Tribuna da Imprensa (Rio de Janeiro - RJ) em, em 04/06/2002

    A carreira de "Macunaíma" na Europa mostra tanto o lado positivo quanto o negativo de uma literatura como a nossa, transportada para o exterior. Claro que, para todos os efeitos, somos "exóticos". Para os franceses, viemos de "là-bas". O exotismo se acentua quando o comentarista é anglo-saxônico. "The Times", comentando "Macunaíma", elogia o livro , chamando-o de "brilliant, genuine, exotic".