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Artigos

 
  • Sem medo do mito Lula

    Nesta abertura da nova década, até onde nos damos conta do que representa hoje a liderança de Lula, neste inédito de um absoluto respeito à democracia e penetração da consciência popular? Não se trata apenas dos 82% de apoio, que desarvoram todas as condições de um status quo de voltar ao poder na percepção do salto destes dois mandatos. Ou do que impeliu o inconsciente social brasileiro para um voto-opção em que, de vez, só existe a mão única para a conquista do desenvolvimento sustentado do país. Esse "povo de Lula" sabe para onde vai, à margem do partido, no eixo das coalizões com o PMDB e impermeável aos escândalos moralistas. Ou melhor, percebe que são abominações próprias ao velho regime brasileiro, de perpetuação da sua cosa nostra, como agora evidencia a permanência de Arruda à frente do governo das propinas mais entranhadas na contabilidade da corrupção brasileira.

  • Haiti

    Quando houve o terremoto em Lisboa, no século 18, Voltaire escreveu o Poema sobre o Desastre de Lisboa (1756), negando a existência de um Deus que consentia numa tragédia de tamanha barbaridade. Diante do desastre, Voltaire perdeu a fé num ser superior que cuidasse dos destinos humanos.

  • Fapesp e desenvolvimento sustentável

    A conferência da ONU do Rio, em 1992, sobre meio ambiente e desenvolvimento consagrou o conceito de desenvolvimento sustentável. São componentes do conceito o vínculo entre a legítima preocupação com o meio ambiente e a não menos legítima preocupação com a economia e a pobreza; a afirmação de que a sustentabilidade do desenvolvimento, além dos requisitos de viabilidade micro e macroeconômica, transita por sua viabilidade ambiental; o reconhecimento dos Outros, vale dizer, tanto dos nossos contemporâneos no espaço de um mundo comum ? e por isso o desenvolvimento sustentável é um tema global ? quanto das gerações futuras, o que significa atender às necessidades presentes sem comprometer o porvir.

  • Com Machado e Rui, a santíssima trindade

    Se 2008 e 2009 foram os anos dos centenários das mortes de Machado e de Euclides, o ano de 2010 está sendo o do Centenário da morte de Nabuco. Os três foram fundadores e membros efetivos da Academia Brasileira de Letras, que justamente por isto tanto se tem empenhado em homenageá-los.

  • A Sabedoria Chinesa

    No meu twitter (twitter@paulocoelho) sempre tenho usado uma brincadeira: posto frases de Confúcio adaptadas ao momento presente. Confúcio - (551-479 a.C.), que reorganizou os textos clássicos chineses (como o popular I Ching) e lhe deu redação definitiva. Para combater a corrupção e a miséria de sua época, criou uma série de preceitos éticos e morais, como o culto dos ancestrais, os princípios de sinceridade, reciprocidade, e a ideia de que só pode governar quem é capaz de promover o bem-estar do povo. A seguir, alguns de seus ensinamentos:

  • O voo do infinito

    Aprendi desde cedo que para Deus não há coincidência. Quando conheci, há mais de 10 anos, o General de Divisão José Carlos Albano do Amarante, então Reitor do Instituto Militar de Engenharia, com ele me identifiquei pela preocupação comum com a visão humanística dos seus alunos. Segundo deixou claro, na conversa que tivemos no prédio da Praia Vermelha, a modernização do ensino pressupunha o enriquecimento cultural dos alunos, para a formação de engenheiros da Idade Tecnológica, com base politécnica e visão holística.

  • Os brasileiros e seus nomes

    Quais são os nomes preferidos dos pais brasileiros? Para responder a esta pergunta foi feita uma pesquisa abrangendo 28 mil bebês filhos de usuários cadastrados no portal BabyCenterBrasil.com, um site que proporciona informações acerca de saúde infantil, gestação etc. É uma amostra significativa da nossa população? Não, não é. A maior parte desse público vive na Região Sudeste e é de classe média e alta. Mas vale a pena conhecer as preferências de um grupo que funciona como verdadeira caixa de ressonância do país, o grupo em grande parte responsável pela chamada opinião pública. A lista inclui os cem nomes mais comuns de meninos e os cem nomes mais comuns de meninas.

  • Deus e os homens

    Na crônica de domingo, lembrei a exaltação de Voltaire quando soube do terremoto em Lis­­boa, em 1755. Ele contestava e questionava a existência de Deus, a sua justiça, a sua bondade. Afinal, os homens se encarregam de produzir as suas próprias tragédias, mas, no caso de um abalo como o do Haiti, eles são vítimas da fúria de uma natureza ensandecida. É, queiramos ou não, uma obra de Deus.

  • Um ano medíocre

    O primeiro ano do governo Obama, nos EUA, não guardou nem prolongou o impacto de sua eleição e posse. Evidente que houve exagero na exaltação com que o mundo recebeu a novidade, um negro na Presidência de um país marcado até há pouco pela discriminação racial. Seu discurso parecia não um atalho, mas um caminho novo não só para os norte-americanos mas para o mundo.

  • Dois milhões fora da escola

    No Centro de Integração Empresa-Escola, que tem mais de 45 anos de experiência na realização de estágios, sente-se como é frágil a estrutura oficial dos cursos de ensino médio, exceção feita para o que acontece nas escolas técnicas federais, que merecem todo o nosso respeito.

  • Os odores do Haiti

    O Haiti é um país sofrido. Nem por isso sua história é menos heroica e exemplo de momentos de glória. Alguns que podem ser inseridos na grande lista da construção da liberdade no mundo. Foi o Haiti o primeiro país em que os pretos se rebelaram contra a escravidão, com Louverture e Dessalines, e eles próprios decretaram seu direito de viver livremente ao fundar, em 1804, a primeira República negra do mundo. Isso custou-lhe uma dívida de sofrimento que atravessou séculos e até hoje é tida como a grande pedra na construção de sua pobreza. A revanche dos países coloniais foi brutal.

  • Catástrofes e burocracia da morte

    A catástrofe de Port-au-Prince não foi só ao extremo do que pode um terremoto, num centro urbano contemporâneo. Precipitou imediatamente uma onda inédita de cooperação internacional, que deverá tornar irreversível, de vez, o que seja o sentimento de uma humanidade ferida no próprio cerne de sua sobrevivência.

  • A fórmula da arte

    Em matéria de computação ele era, todos o reconheciam, um gênio, dessas pessoas cujo cérebro parece estar diretamente conectado a todos hardwares e softwares do mundo. Poderia, se quisesse, ganhar milhões com seus conhecimentos e suas habilidades. Qualquer firma de computação o contrataria a peso de ouro. Mas não era isso o que ele queria. O que queria, mesmo, era ser pintor. À pintura dedicava-se desde a juventude, com uma paixão impressionante. Produzia um quadro por dia. Oferecia suas obras a museus, a galerias de arte, a colecionadores. Anunciava-as no jornal e, claro, na internet. Só que ninguém queria aquilo. Porque, e nisto também havia unanimidade, todos o consideravam um pintor absolutamente medíocre, sem nenhum futuro. "Você nunca será um Van Gogh", disse-lhe um amigo, com aquela franqueza que só os bons amigos se podem permitir. Opinião que ele, contudo, não aceitou. Considerava-se um gênio não reconhecido, exatamente como Van Gogh, aliás, que não conseguira vender seus quadros, mas que, depois da morte, tornou-se uma presença obrigatória nos grandes museus. A seus olhos a única diferença era a seguinte: Van Gogh tinha descoberto uma fórmula para fazer obras de arte; ele ainda não o conseguira. Mas um dia isso aconteceria; e então o mundo se curvaria diante dele. Era só questão de tempo. E questão de sorte. E a sorte o favoreceu. Um dia leu sobre um novo programa de computador que permitia diagnosticar, por assim dizer, o processo criativo de cada pintor. Aquilo fez o seu coração bater mais forte. Não teria a menor dificuldade em criar um programa similar. E iria mais adiante: instalaria o programa numa máquina capaz de, como pintores, manejar pincéis. Isto permitiria clonar (não copiar, clonar) obras de arte. Pôs mãos à obra e em poucas semanas tinha a máquina de pintar comandada por um programa de computador. Este teria de ser alimentado com dados fornecidos pela leitura óptica de uma obra de arte autêntica. E aí estava o problema: como obter, por exemplo, um Van Gogh?

  • Dois centenários

    Todos os anos há uma série de centenários que merecem ser comemorados. Tivemos o de Macha­do de Assis e o de Euclides da Cunha. Agora, em 2010, já estamos lembrando outro gigante de nossa história, o pernambucano Joaquim Nabuco, que atuou na diplomacia do Império e da República, foi fundador, com Lúcio Mendonça e Machado, da Academia Brasileira de Letras e marcou um dos momentos mais brilhantes de nossas relações exteriores, ao lado de Rio Branco e Ruy Barbosa.