
As biografias, o livrinho e a lesma lerda
Não dá para achar que a democracia tem de escolher entre censura prévia e difamação, obrigando a engolir uma para evitar a outra. Ou entre liberdade de expressão e respeito à privacidade e à honra pessoal.
Não dá para achar que a democracia tem de escolher entre censura prévia e difamação, obrigando a engolir uma para evitar a outra. Ou entre liberdade de expressão e respeito à privacidade e à honra pessoal.
Não há motivo para pânico ainda, mas talvez para certa inquietação. Em muitas lojas, restaurantes e outros estabelecimentos comerciais aqui de Berlim, estampa-se, em local visível, um peremptório aviso aos fregueses: não se aceitam, sob nenhum pretexto, notas de quinhentos euros. Nas lojas onde não postam o aviso, quem tenta usar uma nota dessas recebe um olhar suspeitíssimo, se sente um Al Capone e fica com medo de que chamem a polícia. A loja prefere receber de volta a mercadoria escolhida a sequer tocar na nota maldita, não adianta insistir. Nas grandes lojas, os caixas também fazem um ar de extrema desconfiança, mas, quando a venda vale a pena, pegam a nota como se ela estivesse contaminada por uma bactéria mortífera e a levam para um exame pericial. Já devem ter inventado uma máquina especializada nesse serviço, porque o exame leva pouco tempo e se declara um alívio geral, quase festivo, quando o funcionário volta depois da perícia, já segurando a nota com o carinho devido a quinhentos euros legítimos. Suspiros, sorrisos e manifestações quase festivas se seguem, uma verdadeira confraternização internacional.
O século 20, que se prolonga no 21, foi qualificado como era dos extremos. Uma característica do seu extremismo é a generalizada presença e a propagação da violência, cujos efeitos visualizamos no impacto de sua repercussão globalmente difundida pelos meios de comunicação e multiplicada pelo efeito irradiador da era digital. Confrontamo-nos com a onipresença da violência ao tomar conhecimento do que se passa em escala larga e letal na Síria ou, de modo mais circunscrito, com os black blocs, que a inseriram em manifestações de rua até então pacíficas em cidades do Brasil, este ano.
O presidente a ser eleito em 2014 já pode contar com um roteiro básico sobre os caminhos a serem percorridos para que o país volte a ter desenvolvimento econômico sustentado, focado em políticas voltadas para a produtividade e a competitividade, para retomar uma expansão anual ao ritmo de 4%. Os economistas Fabio Giambiagi (BNDES) e Claudio Porto (consultoria Macroplan) organizaram o livro “Propostas para o Governo 2015-2018 — Agenda para um País Próspero e Competitivo” (editora Elsevier), com análises e sugestões de políticas e iniciativas de interesse público de 40 especialistas.
No momento em que a aliança do PMDB com o PT no Estado do Rio está em perigo devido a divergências sobre o candidato à sucessão do governador Sérgio Cabral, acaba de ser publicado na DADOS, a principal revista de ciências sociais do país, o artigo "O Rio de Janeiro e o Estado Nacional", dos cientistas políticos Octavio Amorim Neto, da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (EBAPE), da Fundação Getulio Vargas, Rio de Janeiro, e Fabiano Santos, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), que analisa a influência do Rio de Janeiro na política nacional entre 1946 e 2010, com ênfase nos fatores que explicam o “impressionante declínio” da participação do estado no governo federal a partir de 1969, confirmado nos vinte anos seguintes ao retorno de eleições multipartidárias a partir de 1982.
A desfeita da Primavera Árabe vai do imprevisível ao inaudito. Mais que a ruína democrática, deparamos a demolição da governabilidade, senão do próprio Estado. Aí está o colapso da gestão Líbia, com o sequestro do Presidente, num jogo de negociações de clãs contra clãs. A estabilidade social desaparece no país pós-Kadafi e se dissolve em tribos, num verdadeiro nomadismo político, em todo o sul do país.
A crise entre o Congresso e a Casa Branca nos Estados Unidos, finalmente superada antes que terminasse o prazo para elevar a capacidade de endividamento do Departamento do Tesouro, nos remete à discussão que acontece no Congresso brasileiro sobre a aprovação do que está sendo chamado em linguagem de marketing de “orçamento impositivo”.
A ex-senadora Marina Silva deu mais um passo na denúncia de que o governo da presidente Dilma se tornou refém de chantagens de sua base aliada em busca de mais cargos e nomeações fisiológicas. Ela propôs em uma reunião ontem do PSB que os partidos independentes se unam no Congresso para impedir que os partidos governistas obstruam votações de assuntos importantes para o país, como maneira de pressionar o governo.
Emprego e educação de qualidade compõem um binômio essencial para o crescimento brasileiro. É um fator que, dependendo da conjuntura internacional, pode alavancar o nosso progresso, desde que saibamos aproveitar as janelas que se abrem.
Há uma clara razão estratégica para a presidente Dilma ter escolhido Marina Silva como a adversária a ser batida, além do fato de as pesquisas de opinião independentes mostrarem que a ex-senadora é a adversária que mais perigo lhe oferece no momento.
O que pode definir essa eleição presidencial é a capacidade da dupla Eduardo Campos/Marina Silva de assumir a condição de oposicionista no primeiro turno, mas, sobretudo, num eventual segundo turno da eleição presidencial, caso quem vá para a disputa com a presidente Dilma Rousseff seja o candidato do PSDB Aécio Neves. Isso por que no caso de a dupla Campos/Marina chegar ao segundo turno, o apoio do PSDB será praticamente automático, a não ser que algum percalço durante a campanha o inviabilize, o que é improvável.
Alguns números vêm chamando a nossa atenção, levando-nos a uma reflexão mais aprofundada sobre o cenário da educação no Brasil, atualmente.
A primeira pesquisa de opinião depois do anúncio da união entre a ex-senadora Marina Silva e o governador de Pernambuco Eduardo Campos, divulgada ontem pelo Datafolha, tem boas notícias para a presidente Dilma, que continua amplamente favorita, e, além de tudo, viu que a união dos dois adversários não produziu resultados eleitorais até o momento.
A primeira pesquisa de opinião depois do anúncio da união entre a ex-senadora Marina Silva e o governador de Pernambuco Eduardo Campos, divulgada ontem pelo Datafolha, tem boas notícias para a presidente Dilma, que continua amplamente favorita, e, além de tudo, viu que a união dos dois adversários não produziu resultados eleitorais até o momento.
Receio que minha vinda aqui à feira do livro de Frankfurt não tenha causado grande impressão lá em Itaparica. Antes de vir para cá, dei uns telefonemas para um seleto grupo de conterrâneos e acho que o único resultado que obtive foi a confirmação da opinião do meu saudoso amigo Luiz Cuiuba, segundo a qual eu sempre tive uns problemas na ideia, como, aliás, também suspeitava dona Madalena, nossa professora primária. Não sei se já contei aqui que Cuiuba nem sequer me considerava escritor e fazia umas caretinhas de mofa, quando eu insistia que era. Ele tinha lá suas razões, porque uma vez, numa tertúlia realizada no Mercado, durante uma discussão para saber quem era capaz de citar mais nomes de peixe (marcas de peixe, como lá se diz), ele se envolveu numa discussão acalorada com Ioiô Saldanha, seu oponente na contenda. Depois de várias alegações, por ambos os debatedores, de que certos peixes já haviam sido citados antes, Cuiuba propôs uma solução.