Congestão republicana
De repente, apesar da fama de machão ou de machista, o Brasil se descobre governado por mulheres. Na chamada República Velha, até 1930, uma situação como a de agora era impensável, seria até mesmo um escândalo, comprovada ficava a falência masculina para nos guiar e reger.
Limites à democracia
Ninguém discute que os governos têm direito a manter segredos de Estado, mas o que está em jogo na discussão sobre a nova lei de acesso aos documentos públicos em tramitação no Senado é a limitação temporal desse direito, para que a História do país seja um patrimônio de todos os brasileiros.
Assim é se lhe parece
A economia brasileira oferece menos riscos que a dos Estados Unidos ou, ao contrário, há indícios de que o país está a caminho de uma recessão? Nem uma coisa nem outra, mas ontem o ministro da Fazenda, Guido Mantega, festejou no Palácio do Planalto o fato de que um indicador econômico do mercado financeiro, o CDS (Credit Default Swap), indicaria que o risco Brasil está pela primeira vez menor que o dos Estados Unidos.
Da greve dos bombeiros ao partido militar
As manifestações de rua dos bombeiros, por quase um mês a fio, marca, sem dúvida, uma nova etapa das pressões grevistas na presente democracia brasileira. Não é mais um comício; são horas a fio dos manifestantes junto ao Palácio Tiradentes, na cantilena incessante de bordões e invectivas, cantos e cantochões, numa continuidade de vigília que passou, também, a atravessar os fins de semana. Acampamentos de rua, barracas contra as portas da Assembleia Legislativa, em todo o contrário de uma debandada pelo cansaço. Estamos diante de uma maratona, somando às lideranças um verdadeiro corpo de tropa e suas próprias famílias. O novo do movimento é a sua fusão com a crença evangélica. Seu principal comandante manifesta-se, exatamente, na linha ostensiva da crença, e começa a sua conclamação, sempre, em nome de Deus, da mobilização da fé, cercado, inclusive, pela certeza profética de seu êxito.
Nem que o mundo caia sobre mim
Nem tudo está perdido: o Brasil está proibido pela Constituição de fabricar armas nucleares e só poderá usar a energia atômica para fins pacíficos e para o bem maior da humanidade. Não é nada, não é nada, mas o Paraguai e a Bolívia já manifestaram, anteriormente, os mesmos e sadios propósitos, vale dizer, o mundo deverá se curvar ante a trindade augusta formada pelos três paladinos da paz e da prosperidade entre os povos.
Sarney Ponto Com
Uma jovem americana, Sarah Law Wu, tem o endereço @sarney no Twitter. Ela explica que é o apelido que lhe foi dado por sua avó, no Colorado, quando era menina -hoje tem 34 anos.
Classe média lê muito
O livro está sendo submetido, nos tempos atuais, a testes de toda ordem. Ora se discute se a versão impressa tem os seus dias contados, ora se duvida de que haverá, em poucos anos, o absoluto predomínio do livro digital. Existe até a versão de que o mais provável, mesmo, é que coexistam as duas versões, o que parece muito mais lógico.
Redesenho eleitoral
Uma proposta de redesenho do mapa eleitoral brasileiro, a fim de reduzir a fragmentação partidária que tira a eficiência de nosso presidencialismo de coalizão, favorecendo a negociação fisiológica no Congresso, é o que propõe um trabalho conjunto do cientista político Octavio Amorim Neto, da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getulio Vargas do Rio, o geógrafo Bruno Cortez, do IBGE, e Samuel Pessôa, economista do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE), da FGV-Rio.
Mojimirim e Mojiguaçú
Um professor encaminha-nos a seguinte questão: "Pelo Acordo Ortográfico, usa-se hífen 'nos vocábulos terminados por sufixo de origem tupi-guarani '-açu', '-guaçu', '-mirim', quando o primeiro elemento terminar por vogal acentuada(...). Pergunto: nesse caso, os topônimos 'Moji Mirim' e 'Moji Guaçu' devem ser hifenados? Há alguns colegas que defendem as formas 'Mojimirim' e 'Mojiguaçu?'
Teoria e prática
Publicado na mais recente edição de Opinião Pública, revista de ciência política da Unicamp, um trabalho do cientista político Octavio Amorim Neto, da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getulio Vargas do Rio, o geógrafo Bruno Cortez, do IBGE, e Samuel Pessôa, economista do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE), da FGV-Rio oferece uma proposta de reforma do sistema eleitoral da Câmara dos Deputados.
Prossegue a reforma
Procurando num calendário eletrônico este domingo, dia 19 de junho, me bati por engano com o 19 de julho e a informação de que é o Dia Nacional do Futebol, como se aqui os outros dias do ano também não fossem do futebol. O legislador que o instituiu devia estar pensando em criar um feriado ou, unindo a diversão aos negócios, obter verbas e cargos para uma Comissão dos Festejos do Dia Nacional do Futebol, participar com a família de viagens de trabalho à sede da Fifa na Europa, manter talvez algumas ONGs e diversas bocas-livres às custas do erário e, enfim, perseguir os objetivos com que se costuma legislar entre nós. A experiência induz a crer que alguém pegou, pega e pegará alguma grana com o Dia Nacional do Futebol, é isso mesmo, faz parte da nossa afamada realidade. Não é hoje, é daqui a um mês, mas não pude resistir ao comentário, que não vou poder fazer no dia exato.
Contra meus hábitos
Como escrevi na crônica anterior, sou incapaz de extrair um recado na carta que dona Dilma dirigiu a FHC. Li considerações profundas a respeito, mas fiquei fiel à minha obtusidade hereditária e -como diria Nelson Rodrigues- vacum.
Às vésperas da 'guerra de religiões'
Depois da revolução árabe vamos, de fato, à democracia? Ou estamos mergulhando no fundamentalismo, no Ocidente ou no Oriente Médio, num sentimento defensivo de identidade e não de efetiva coexistência internacional? A recente Conferência da Academia da Latinidade, realizada em Barcelona, examinou este contraponto, onde está em causa a possível regressão do pluralismo político sob o álibi do arranco democrático e do abate das ditaduras no Mediterrâneo muçulmano. Começam as interrogações com a reforma constitucional da Tunísia, que rejeitou o laicismo, e o perigo da aparição de partidos únicos, como o da Fraternidade Muçulmana, num novo alinhamento pressentido das forças políticas, no Egito.
Num bar em Buenos Aires
Estou com a escritora venezuelana Dulce Rojas, tomando um café em Buenos Aires; discutimos sobre a ideia da paz, que tem andado muito distante do coração humano. Dulce então me conta a seguinte história: