Acadêmico Ivo Pitanguy recebe o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Rio de Janeiro – Unirio
Publicada em 02/05/2016
Publicada em 02/05/2016
Publicada em 02/05/2016
Sempre fui aclamado como um notável espírito de porco, em todos os sentidos. Em criança sempre torcia pelo bandido, quando vejo esses surfistas que aparecem na televisão, torço freneticamente pelas ondas. Sei que não agrado a ninguém, mas agrado a mim mesmo pelas canoas furadas que tomei e continuo tomando.
Devo admitir que, a cada dia, surpreendo-me com a reação de pessoas reconhecidamente inteligentes e bem informadas, em face da crise pela qual passa o país nesta fase do governo de Dilma Rousseff. Não é que não tolere suas opiniões contrárias à minha, e sim os tipos de argumentos que adotam, contrários aos fatos e aos princípios constitucionais que regem a nossa vida política e social. A única explicação para tal atitude só pode ser a necessidade de, fora de toda lógica, insistir na defesa de determinada opção ideológica, seja ela razoável ou não.
A recém-terminada conferência das Nações Unidas, em Nova York, sobre ecologia nos situa diante do estado de consciência universal quanto aos avanços do bem-estar ou do dito "bem comum" em nosso tempo.
Se faltam recursos financeiros para viabilizar o Plano Nacional de Educação, com as suas 20 metas, o que dizer do que se disponibiliza para a realização de objetivos culturais? É muito pouco e ainda por cima corre-se o risco de ser menos ainda, se a discussão em tomo da Lei Rouanet concluir que ela deve ser extinta.
Não temos, na nossa história política, momento como o de agora, em que chegamos aos extremos do risco da desestabilização.
Cabe ao presidente escolher sua equipe, assim como cabe aos partidos apresentar a agenda indispensável para o momento.
A queda na qualidade da representação parlamentar é um fenômeno que se espalha por boa parte dos países da nossa região, avalia o sociólogo Bernardo Sorj, mas há razões específicas ao Brasil que são destacadas pelo historiador José Murilo de Carvalho, da Academia Brasileira de Letras, e pelo cientista político Sérgio Abranches: os reflexos dos 21 anos da ditadura militar que o país viveu.
Até hoje, passados muitos dias da votação na Câmara da aceitação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, ecoam nos debates parlamentares a maneira como alguns deputados justificaram seus votos naquele domingo.
Cenas de depravação e perversidade de documentário, recolhidas em vários países, passaram a ser norma pela frequência em jornais e telas de TV, sem falar na internet.
Com ou sem impeachment, é urgente ter clareza sobre o que é inadiável e prioritário. Não dá para desviar o foco o tempo todo.
Veio a sensação de que o Rio se tornara a bola da vez do azar: câncer do Pezão, crise econômica sem precedentes, greves, falta de grana até para pagar a funcionários.
A presidente Dilma anda trocando os pés pelas mãos nesses seus últimos dias de Palácio do Planalto, e já dá mostras de que não tem senso de história, ou o tem tão distorcido que acha que qualquer ação é válida para manter-se no poder, mesmo quando essa possibilidade se torna quase impossível. Nunca a velha regra política de que somente dois fatos são importantes, o fato novo e o fato consumado, foi tão verdadeira.