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Artigos

  • Nobel de Física

    Jornal de Letras, em 17/11/2021

    Já acompanhava, de longe, os estudos de Parisi sobre os sistemas complexos, não de forma específica, mas de ordem geral, filosófica. Bebo da fonte da complexidade, em Edgar Morin e Basarab Nicolescu. Ainda jovem, na casa dos vinte e poucos anos, enviei a Mandelbrot uma serie de perguntas – jamais respondidas – sobre a poética dos fractais, bela, fascinante, enamorada do infinito. Fui capturado desde então pelo complexo. Algumas dessas obsessões aparecem nos meus livros, sob a chancela de diário filosófico, em forma de fragmentos, cujos três volumes sairão reunidos, em breve, com o título de Paisagem lunar.

  • Giacomo Leopardi (Para Antonio Prete)

    Revista Humanitas, em 12/11/2021

    Um de seus mais belos poemas habita o sentimento do infinito. Para alcançá-lo, apenas a imaginação.
    *
    Nos domínios fictícios do infinito, o pensamento humano só pode naufragar.

  • Dante 700

    Jornal de letras de Lisboa, em 20/10/2021

    Desde a infância, Dante é meu fantasma. Quase de carne e osso. Vibrátil. Tornou-se meu enigma e obsessão. Determinou parte de minhas escolhas e de minhas recusas. Todos os anos volto ao Inferno, Purgatório e Paraíso. Basta entrar uma vez, para nunca mais sair. Um labirinto de beleza.

     

  • Plotino

    Revista Humanitas, em 19/10/2021

    Nenhum filósofo me infunde tanta paz. Os antigos ensaios de seu rosto, de autoria incerta e duvidosa, parecem confirmar tal sentimento. Como na Vida de Porfírio, como na Escola de Atenas, de Rafael, assistimos a um Plotino, solitário, a sorver as primícias da contemplação. 

  • O Deserto e as Formas

    Revista Humanitas, em 30/08/2021

    Como definir a experiência do deserto, senão através de aparente recorrência?

    *

    A tautologia surgiu no coração do deserto. Um anjo disse: A = A.  Mas quando veio o diabolus, descobrimos a cifra de um paraíso perdido. A ≠ B.

    *

    O deserto, antes dele. O deserto, dentro dele. O pós-deserto. Três mundos que divergem, irredutíveis. A soma de matéria incandescente. 

  • Moby Dick

    Jornal de Letras de Lisboa, em 28/07/2021

    Alguém disse que, quando lemos um clássico pela primeira vez, realizamos, a bem da verdade, uma segunda leitura. Mais que um paradoxo, as linhas de força de um grande livro não deixam margem à dúvida.  

  • Canto do Cisne

    Revista Humanitas, em 20/07/2021

    A mônada e a morte. Conjugá-la na primeira pessoa – no modo indicativo e no presente. Já não se podem convocar terceiros. 

  • Nietzsche no Céu

    Jornal de Letras, Artes e Ideias (Lisboa), em 24/03/2021

    A poesia clássica persa é um condensado de beleza, em língua delicada: antiga e jovem, intensa e maleável, aberta e rigorosa. 

  • Dante

    Humanitas, em 10/03/2021

    Todas as vezes que me abeiro de Dante, é como se a esfinge estivesse pronta a devorar-me.

  • Yanomamis

    Jornal de Letras, Artes e Ideias (Lisboa), em 13/01/2021

    Penso na cosmopolítica de Isabelle Stengers.