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Artigos

  • Vai fazer falta

    O Globo, em 11/11/2021

    Conheci Cristiana na sucursal do Globo em Brasília no final dos anos 1970, começava seu trabalho de repórter política na capital, vinda de Goiás. Sempre foi a mesma, alegre e irreverente, amando o que fazia. Gostava das intrigas no Congresso, aprendeu cedo a entender o que era notícia, o que era boato; o que era manipulação, o que era informação. E nunca perdeu uma visão irônica da atividade política, embora entendesse que era ali, com seus defeitos e qualidades, que o destino do país era traçado.   

  • O tratoraço de Lira

    O Globo, em 09/11/2021

    O jogo pesado do presidente da Câmara, deputado Arthur Lira, marcou o dia de ontem, com ameaças de cortar o ponto dos deputados faltosos, tentativa de antecipar a sessão de votação sobre a PEC dos Precatórios para a noite, adiantando-se a uma possível decisão da ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Rosa Weber sobre o pedido de parlamentares para suspender o segundo turno por irregularidades que afetam a Constituição.

  • Afonso e Getúlio

    Os Divergentes, em 07/11/2021

    Afonso Arinos de Melo Franco deu à tribuna parlamentar brasileira uma dimensão muito elevada, com peças memoráveis, que orgulhariam qualquer Parlamento, em qualquer tempo.

  • A hora do Supremo

    O Globo, em 07/11/2021

    A decisão liminar da ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), de suspender as chamadas emendas do relator liberadas pela presidência da Câmara nos momentos que antecederam a votação da proposta de emenda constitucional (PEC) que parcela o pagamento dos precatórios indica que o processo vicioso que levou à sua aprovação pode ser interrompido em uma segunda etapa da batalha jurídica, desta vez para suspender a votação do segundo turno marcada para terça-feira.

  • Nunca fomos uma nação

    O Globo, em 07/11/2021

    O severo Gilberto Braga morreu no mesmo dia em que comemorávamos o aniversário de Milton Nascimento, essa flor da canção e da esperança. Assim como nos deixava, na mesma semana, o doce e preciso Nelson Freire, “o segredo mais bem guardado do piano”, como diziam dele os críticos franceses. Gilberto e Nelson se foram quando recebíamos encantados o novo disco de Caetano Veloso, “Meu coco”; e o livro novo, agora de contos, de Chico Buarque, “Anos de chumbo”.

  • Fernanda Montenegro, um nome que vem iluminando o Brasil

    Estadão Online, em 05/11/2021

    Há uma frase que tenho repetido como um mantra e que funciona em minha trajetória. A vida lança no espaço vários pontos que parecem desconexos e depois liga um a um. Numa noite de 1958, eu ainda me adaptava a São Paulo e uma jornalista do Última Hora, Yvonne Fellman, me convidou para ir ao TBC assistir à estreia de Pedreira das Almas, de Jorge Andrade.

  • Fora de controle

    O Globo, em 04/11/2021

    Além dos dados econômicos, há aspectos político-jurídicos que mostram o absurdo representado por essa emenda constitucional que pretende autorizar o governo a dar um calote em parte dos precatórios já autorizados pela Justiça. Os dados mostram que o governo não precisaria furar o teto de gastos se, em vez de ter cedido às pressões políticas para a reeleição de Bolsonaro, realocasse despesas com, por exemplo, uma reforma administrativa para enxugar um pouco a máquina pública e obter a verba necessária a instituir o Auxílio Brasil.

  • No papel de penetra

    O Globo, em 02/11/2021

    A imagem que simboliza o isolamento do Brasil na cúpula do G20 está no vídeo em que Jair Bolsonaro aparece perambulando pelo amplo salão onde os principais líderes confraternizavam em vários grupos. Completamente deslocado, ele parece um penetra. Só se sente mais à vontade quando se refugia no bar e passa a puxar conversa com os garçons por meio do intérprete.

  • Seleção natural

    O Globo, em 02/11/2021

    A tese de que o eleitor fará a seleção natural para escolher quem será capaz de derrotar Bolsonaro e Lula no ano que vem tem mais credibilidade para esta eleição do que em 2018, quando a maioria queria mesmo era impedir que o petismo voltasse ao poder. Hoje, a maioria quer que apareça algum candidato capaz de derrotar o presente infame e o passado recente que não quer ter de volta.

  • Ele não quis o celular

    O Estado de S. Paulo, em 31/10/2021

    Todos o conhecem pelo apelido, Dono. Quando se pergunta sobre o nome, ele diz que um dia alguém assim o chamou e assim continuou pela vida toda. Deve ter 50 anos. Quando você estende a mão, ele abre um sorriso, feliz por te ver. É cordial, parece que tudo está sempre bem. A menos que uma de suas plantinhas, como ele as chama, da horta da Sueli e do Ivo não esteja se desenvolvendo como ele pretende. Ou como devia. Fica ali um tempão a olhar para ela, tentando descobrir a razão. Pouca água? Ou muita? Agrotóxicos não existem em seu vocabulário. Realmente não foi uma muda bem tirada? Muda boa tem de ser conseguida com jeito e carinho. Dono sabe o temperamento de cada verdura, flor, fruta.

  • A fome

    Os Divergentes, em 31/10/2021

    As imagens têm se sucedido Brasil afora: as pessoas catando lixo e descartes de comida em busca de superar o drama terrível da fome. Quando isso acontece é sinal de que atingimos uma linha de alerta para a qual é necessária a mobilização de toda a sociedade.

  • Sem lugar de fala

    O Globo, em 31/10/2021

    A ida de Bolsonaro à reunião do G20 não tem a menor importância. O importante é ele não ir à reunião mundial do clima na Escócia, da qual depende nosso futuro, e o do mundo. Tanto no G20 quanto na COP26, ele não tem lugar de fala, não tem nada a dizer. Não ir à COP26 é sinal de que o assunto não é prioridade do país. Como explicar que acabou de dar uma pedalada para mudar o critério de emissão de carbono, para poder poluir mais ?

  • Os 100 anos de Paulo Freire

    O Correio da Manhã/ RJ, em 28/10/2021

    A perseguição ideológica é capaz de verdadeiros abusos, como aqueles que atingem o educador Paulo Freire. Autor de algumas das obras mais importantes de alfabetização, no país, reconhecido internacionalmente, o Brasil tem negado os seus méritos, sob a alegação de que a sua obra é eminentemente comunista. Falar em pão e trabalho, no seu afamado método, não pode ser pretexto para condená-lo. Ao contrário, devemos mais homenagens ao educador, agora que se comemoram os seus 100 anos de existência.

  • Cólera e algoritmos

    O Globo, em 28/10/2021

    A revelação de que o Facebook estimulava o compartilhamento de notícias cujos conteúdos geravam reações mais emocionais e provocativas nos usuários, por meio dos emojis que representavam as sensações pessoais ao lê-las, especialmente os que mostravam uma cara avermelhada de raiva, não apenas confirmou que durante anos Mark Zuckerberg e sua equipe manipulavam os usuários da rede social, como abriram um caminho vicioso para as campanhas políticas, até hoje explorado.

  • Presidente a ser impedido

    O Globo, em 26/10/2021

     O ex-presidente José Sarney cunhou a expressão “liturgia do cargo” para definir a responsabilidade perante a população de um presidente da República no cargo que ocupa. Das palavras ditas ao comportamento pessoal, tudo tem seu peso político. Mas há distinções entre comportamentos popularescos e aqueles espontâneos, especialmente quando a espontaneidade revela um político excêntrico, mas vencedor e com visão de história.