Arthur Sendas
Ninguém me pediu, mas gostaria de dar um depoimento sobre Arthur Sendas, assassinado nesta semana e cuja morte abalou a cidade, sendo ele apenas um empresário cujo nome se tornou conhecido e respeitado por todos.
Ninguém me pediu, mas gostaria de dar um depoimento sobre Arthur Sendas, assassinado nesta semana e cuja morte abalou a cidade, sendo ele apenas um empresário cujo nome se tornou conhecido e respeitado por todos.
O AVANÇO da campanha eleitoral americana só salienta a absoluta desimportância da América Latina no horizonte político dos candidatos. Nenhuma menção ao continente, mesmo quando pode depender dos "chicanos" -e são 30 milhões nos Estados Unidos- o passo definitivo para a vitória democrata.
Num "trabalho em progresso", exerce Guilherme de Almeida, desde seus primeiros versos, uma função de unificador de relações e de semelhanças. Seu pensamento poético funciona com rapidez no associar parecenças, com a faculdade de descobrir "estranhas combinações nas coisas comuns". A relação é uma ordem entre diferenças, mas pode ser também um grito.
Não sei como as coisas andam em São Paulo a propósito do segundo turno das eleições municipais. Parece que houve baixaria das grossas, com a candidata do PT pondo em questão a vida pessoal do adversário, que, por sinal, está em primeiro lugar nas pesquisas.
Jorge Amado costumava me dizer que, quando cedia os direitos de um texto seu para adaptação (cinema, tevê, teatro), esquecia que era o autor. Isso porque, argumentava, o diretor acabaria fazendo aquilo que achava melhor, um direito que Jorge aliás reconhecia. Com os anos, aprendi que o grande escritor baiano tinha razão. Muitos de meus textos foram adaptados com resultados muito variáveis. Os direitos de O Centauro no Jardim foram vendidos, por um agente literário, a uma produtora de Hollywood. Eu não tinha a menor idéia do que fariam para adaptar à tela um livro cujo principal personagem é metade homem e metade cavalo. E eles, constatei depois, também não: o filme nunca foi realizado. Mas, na Alemanha, a história gerou uma peça de teatro, e a atriz que fazia o papel de centauro conseguiu a façanha de caminhar pelo palco – sem fantasia, sem nada – como se fosse um centauro. Um resultado inesperado.
Tudo neste mundo é relativo, como se gostava muito de repetir há algumas décadas, quando Einstein era de certo modo novidade e liam-se livros de divulgação sobre a teoria da relatividade de que ninguém entendia nada, a começar pelos próprios divulgadores. Acostumamo-nos a isso. Continuamos a não entender nada da teoria da relatividade, mas a incorporamos ao nosso dia-a-dia, talvez cada um à sua maneira e de acordo com suas circunstâncias.
Toda eleição presidencial tem ingredientes de circunstância, dados pela conjuntura, e de substância, ligados aos grandes problemas de um país e a distintas maneiras de encará-los e encaminhá-los. Há momentos em que predominam os ingredientes de substância. Foi o caso da eleição, no âmago da Grande Depressão, de Franklin Roosevelt em 1932. Há momentos em que os ingredientes de substância ficam em surdina no processo eleitoral e prevalecem os de circunstância. Foi o que aconteceu na primeira eleição presidencial de George W. Bush, num contexto internacional favorecedor do predomínio dos EUA no mundo.
Hoje é dia de São Lucas, autor, segundo a tradição, de um dos Evangelhos e dos Atos dos Apóstolos. E é também o Dia do Médico, porque, sempre de acordo com a tradição, esta foi a profissão que Lucas, nascido em Antióquia, atual Síria, exerceu. Pouco se sabe sobre sua vida. As evidências de que teria mesmo sido médico são escassas e baseiam-se muito na analogia entre a linguagem que usa e a de Hipócrates, e também no fato de que menciona muitas doenças. Admitindo que Lucas tivesse mesmo exercido a medicina, a pergunta que cabe é: o que teria atraído um médico para o cristianismo?
A passagem, de forma pacífica, do regime autoritário para o Estado democrático de Direito, com a promulgação da Constituição de 1988, teve início – fato pouco percebido pela sociedade brasileira – após amplo acordo político intitulado "compromisso com a nação". Esse pacto pode ser considerado um dos mais importantes de nossa história republicana. Dele nasceu a chapa Tancredo Neves/José Sarney, eleita através de Colégio Eleitoral.
A nova legislação eleitoral proibiu a colocação de cartazes em paredes e postes, que deixava toneladas de lixo para as prefeituras depois de cada eleição.
Sabemos agora, no confronto entre Paes e Gabeira, que um usa botinas marrons de cano alto, e outro, mocassins pretos; um, camisa azul Royal, e outro, azul clara; paletó abotoado um, fechado outro, o terno príncipe de Gales contra o monotonamente preto. Não temos precedente nesses detalhes para a eternidade, do embate do Rio, nesses detalhes cruciais, em que a irrelevância chegou à melhor retórica do grotesco. Fiquem os engodos da percepção com que a contenda veio à mídia, numa repetição exausta, mas que aposta de toda forma nesta fome política para que acordou no país, e especialmente o Rio de Janeiro, no papel que o voto carioca terá nesse passo à frente para a nossa modernização.
RIO DE JANEIRO - Resisti até agora a cometer qualquer tipo de comentário a propósito das próximas eleições presidenciais nos Estados Unidos. E se agora o faço, é de forma oblíqua, marginal, pior do que superficial. Desde que uma certa senhora foi indicada para vice-presidente na chapa dos Republicanos, a mídia internacional, em peso, caiu em cima dela, satanizando-a, promovendo a até então desconhecida governadora do Alasca ao papel de besta negra da vez.
Esse negócio de sermos colonizados é muito mais sério do que se imagina. Até eu, que já pensei muito no assunto e sou observador viciado de suas manifestações, vejo uma novidadezinha todo dia. Recentemente, tenho certeza de que, ainda nos dias em que o nosso presidente estava curtindo com a cara do presidente Bush por causa da crise de lá, que nem o Atlântico atravessaria (não precisou, é cabotagem, aqui mesmo pelas beiradas da gente), havia um pessoal meio chateado porque a crise não tinha chegado, ou, muito pior, não ia chegar ao Brasil. Mais uma vez de fora, eles lá se esbaldando numa crise desenvolvidíssima, cheia de siglas e frases feitas em inglês chiquíssimo e nós aqui, como nativos de uma ilha primitiva.
Seguindo sua história e sua formação, a humanidade vive em permanente mudança. É o ser vivo de James Lovelock, a Gaia que vive palpitando, morrendo e nascendo. Reage e interage conforme o tempo e a circunstância.
Lula distanciou-se das eleições municipais, deixadas cuidadosamente aos palanques locais, e à emergência de novas lideranças para o Brasil de após o mensalão, o Bolsa-Família e a chegada dos excluídos aos supermercados.