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Artigos

  • O ano Drummond

    Tribuna da Imprensa (Rio de Janeiro - RJ) em, em 29/05/2002

    Pouco sabemos da influência de Carlos Drummond de Andrade sobre a poesia latino-americana como um todo. Essa influência tornou-se mais visível a partir de 1956, quando a poesia de Drummond começou a estar presente em quase todos os jovens poetas da Argentina, do Chile, do Peru, do México, revertendo-se a situação anterior em que os brasileiros imitavam Neruda, Borges e outros poetas do continente.

  • Nação goitacá

    Tribuna da Imprensa (Rio de Janeiro - RJ) em, em 10/04/2002

    A reedição do primeiro romance de José Candido de Carvalho, feita agora, joga-nos de volta ao fim dos anos 30, quando a ficção brasileira dava inesperadas reviravoltas, no encerramento de uma das décadas mais novidadeiras da nossa literatura. Aquele "Olha para o céu Frederico!" vinha marcar uma verdadeira mudança de rumo.

  • A palavra no poder

    Tribuna da Imprensa em, em 06/03/2002

    O uso da palavra pelos que estão no poder - isto é, da palavra que influi, que muda uma comunidade e abre caminhos - é um de seus aspectos em que às vezes menos prestamos a atenção. Dos políticos recentes - a partir da Revolução de 30, digamos - lembro-me sempre de Otávio Mangabeira, não só o parlamentar, mas também o acadêmico. Quem quer haja estado presente à sessão solene promovida pela Academia Brasileira de Letras em 1958, para comemorar o cinqüentenário da morte de Machado de Assis, não terá esquecido a mistura de leveza e força que Mangabeira utilizou, ao falar, de improviso, sobre nosso maior escritor, cuja cadeira Otávio ocupava.

  • Machado e o realismo cético

    Tribuna da Imprensa em, em 09/01/2002

    Vive a literatura brasileira sob a inarredável presença de Machado de Assis, que nos empurra de um lado para outro, exige que o decifremos e analisemos, que o neguemos várias vezes antes de curvarmos a cabeça diante de sua força. Quem foi na realidade o Bruxo, de que maneira se apossou ele da inteligência e das emoções de um País? Conquistou um estilo que não se confunde com nenhum outro, compreendeu-nos como ninguém e até zombou de nós todos que vivemos neste vale de ciúmes.

  • Leopold Senghor, o poeta do socialismo africano

    Tribuna da Imprensa em em, em 02/01/2002

    A morte de Leopold Senghor foi um dos maiores desfalques sofridos pela humanidade em 2001. Perdemos, com seu desaparecimento, o poeta e o estadista, mas também o pensador que lutou para tornar compreendidos os fundamentos ontológicos do pensamento africano.Professor, parlamentar (representou o Senegal no Congresso francês), criador de um país, intérprete de um povo, defensor de um socialismo africano, isto é, um socialismo que respeitasse a realidade e a "situação da África", na linha do que ele chamou de "humanismo negro-africano", tinha Senghor consciência de que o primeiro desafio, a que os africanos precisavam responder em nosso tempo, era o do idioma.

  • Cem anos de "Os Sertões"

    Tribuna da Imprensa - Rio de Janeiro - RJ,, em 11/04/2001

    Há 100 anos, em São José do Rio Pardo, Estado de São Paulo, punha Euclides da Cunha o ponto inicial em seu livro “Os Sertões”. Estava, como engenheiro, reconstruindo a ponte daquela cidade, havendo composto o livro num barracão em que funcionava seu escritório. O texto inicial do trabalho já fizera parte de sua colaboração no jornal “O Estado de São Paulo”.Escrevera-o como jornalista, tendo elaborado suas informações e análises no contato direto com a luta que se saberia ter sido a revolta do Brasil interior contra o litoral europeizado. Por muito primária fosse tal conclusão, seria admissível aceitar-se que os homens de Antonio Conselheiro lutavam contra a República e a favor da Monarquia? Também primária poderia ser essa interpretação.

  • A velhice dos símbolos

    Tribuna da Imprensa - Rio de Janeiro - RJ,, em 17/01/2001

    O símbolo não é apenas arbitrário: é também frágil. Joyce Cary insistia nessa fragilidade como elemento importante no esforço de renovação que todas as formas de expressão empreendem ao longo dos tempos. O símbolo é frágil, mas toda educação repousa sobre o dogmatismo dos símbolos, a tal ponto que a menor das novidades provoca protestos. É o tipo dogmástico do ensino que, nos últimos séculos, vem destruindo a intuição natural da criança. Pode-se discutir sobre se o desaparecimento dessa intuição haja sido, ou não, um bem, mas, do ponto de vista da conquista de uma linguagem cada vez mais viva, a simbologia precisa de contínuos reaferimentos e renascenças. Toda arte usa símbolos, diz ainda Cary, e a II Guerra Mundial começou ao redor de símbolos. Os preconceitos, raciais, religiosos ou políticos, se nutrem de símbolos e, por sua vez, alimentam esses mesmos símbolos.

  • O mito do fantasma

    Tribuna da Imprensa - Rio de Janeiro - RJ,, em 21/06/2000

    Vivemos cercados, literalmente, de mitos. Ou de realidade que se transformaram no que chamamos, apropriadamente ou não, de mitos. Desde que a palavra “imaginário” deixou de ser apenas adjetivo para se apresentar, dir-se-ia que definitivamente, também como substantivo, bibliografias muitas surgiram no setor, a começar por livros de Mircea Eliade, culminando com o ensaio de Gilbert Durand, “Les structures anthropologiques de l'imaginaire” (1960) e “L'histoire de l'imaginaire”, trabalho de Evelyne Patlagean incluído no volume “La nouvelle histoire” (1968).

  • Gilberto Freyre: centenário

    Tribuna da Imprensa - Rio de Janeiro - RJ,, em 01/03/2000

    Nenhum outro escritor de nosso tempo contribuiu, como Gilberto Freyre, para o conhecimento do Brasil. Nascido no Recife em 15 de março de 1900, marcou de tal modo os estudos sociais no Brasil que sabemos hoje haver entre nós duas épocas nesse terreno: antes de Gilberto Freyre, e depois. O que o distinguiu, antes de tudo, foi o seu nacionalismo. É normal - e até natural - que os sociólogos em geral tratem da sociedade in- abstracto, como base de qualquer avanço. Gilberto Freyre analisava uma sociedade concreta, a brasileira, com base na sociedade escravagista que se desenvolvera no Nordeste do Brasil e, por expansão, no resto do país. Tudo era matéria para suas análises, o povo, a arquitetura, a comida, as pinturas e os retratos, os hábitos religiosos, a luxúria, os impulsos de revolta, as acomodações. Suas interpretações fixaram-se em realidades da sua, da nossa terra. Foi, por isso, leitura obrigatória em universidades tanto do Brasil como do estrangeiro, talvez mais lá fora do que "intra muros".

  • Presença de Josué

    A morte de Josué Montello, ocorrida há uma semana, deixa-o cada vez mais vivo entre nós. Foi ele autor de uma obra literária aberta e aliciante, numa linhagem que veio de Manuel Antonio de Almeida, passou por José de Alencar e Aloísio de Azevedo, atingiu uma culminância em Machado de Assis e continuaria em Lima Barreto até pousar na arte narrativa de Josué.

  • Machado e Rosa

    Teremos, dentro de dois anos, duas datas literárias da maior relevância, pois o ano de 2008 lembrará dois acontecimentos marcantes; o centenário da morte de Machado de Assis e o centenário do nascimento de Guimarães Rosa. Pode-se imaginar, nos limites da saída e do ingresso neste vale de sonhos, um encontro de Machado de Assis e Guimarães Rosa, o primeiro dizendo ao segundo: "Toma, Rosa - agora o facho é teu."

  • O agachamento do Japão

    Alguns séculos antes dos best-sellers de hoje, um livro português inaugurou o atual sistema de apreciação de um escrito pelo tamanho de sua venda. Parte-se do princípio de que, sendo o mais vendido, seja determinado livro também o melhor. Então já havia Gutemberg aperfeiçoado a técnica de impressão que viria colocar o objeto chamado livro nas mãos de qualquer pessoa. As quase oitocentas páginas de "Peregrinação", de Fernão Mendes Pinto, saíam com atraso, pois seu autor morrera 31 anos antes do aparecimento do livro em 1614.

  • A dança das palavras

    Em boa hora aparece, no centenário de seu nascimento, a reedição de poemas de Augusto Frederico Schmidt (1906-1965), poeta que se insere na melhor tradição da lírica brasileira ao mesmo tempo em que pode ser colocado no grupo dos que analisaram seu tempo e sua gente com o entusiasmo de um pregador de idéias. Poucos brasileiros do século XX terão tido a qualidade que o distinguia: a do analista apaixonado.

  • A posição de Camus

    Estranha posição, a de Albert Camus, na literatura do século passado. Aos 45 anos conquistou, contra todas as previsões, o Prêmio Nobel de Literatura. Nascido na África do Norte, passaria seus anos de formação longe da Europa, só tendo chegado a Paris aos 23 anos de idade. Se por alguma coisa se distinguia esse racionalista do mito, foi pelo aspecto moral de sua obra. Pode Camus ser classificado como um escritor para quem a ética estava acima da técnica (eu estaria inclinado a usar aqui a palavra estética em vez de técnica, se não estivesse convencido de que a estética pega campo maior do que a simples técnica, já que na estética está contido um princípio de ética). É por isto que Germaine Blée classifica as histórias de Camus ("A peste", "A queda", etc,) de "parábolas". Esta era a sua linguagem, este o seu modo de discutir o que às vezes chamava de absurdo das coisas.

  • Alma e corpo do Rio

    A alma e o corpo do Rio de Janeiro todo inteiro, do Rio de Janeiro indo ao norte até Atafona e Itabapoana, e ao sul até Paraty, e ao oeste até a fronteira com Minas Gerais, é o que aparece no livro-álbum Rio de Janeiro, estado maravilhoso, cuja história é contada através de imagens colhidas pelas fotos de Pércio Campos.