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Orgulho africano

 

A Flinksampa, evento idealizado pela Faculdade Zumbi dos Palmares e pela ONG Afrobrás, ganha, a cada edição, mais força e visibilidade para colocar em prática aquilo que motivou a sua criação. Este ano, com o lema “Eu quero liberdade”, fez referência ao direito do negro à liberdade física, de expressão individual e coletiva, de exercer qualquer trabalho ou profissão.

O principal objetivo da nossa reflexão no Flinksampa foi ampliar o importante debate sobre a cultura negra e sua luta para conquistar os direitos esquecidos ao longo de uma história marcada por injustiças e subordinação econômica. O orgulho das raízes africanas e desta rica cultura precisa ser amplamente divulgado.

Resgatar a história e jogar luz na obra de Luiz Gama (1830-1882), poeta, advogado e jornalista brasileiro, um dos raros intelectuais negros do Brasil escravocrata do século XIX, único autodidata e único a ter passado pela experiência do cativeiro, foi fundamental para explorar a multiplicidade de pensamentos de um povo muitas vezes ignorado.

Há, no Brasil, um número razoável de poetas afrodescendentes, mas suas obras não são ainda tão divulgadas, não por conta da qualidade, mas pelo desinteresse do público leitor (talvez por puro preconceito) e, também, do mercado editorial.

Através da pesquisa e da análise da obra do poeta negro brasileiro Luiz Gama (1830-1882), patrono da cadeira nº 15 da Academia Paulista de Letras, advogado e jornalista, um dos mais combativos abolicionistas de nossa história, enfocamos a questão da negritude para mostrar o quanto há para se revelar dos poetas negros.

Precursor da poesia negra brasileira, o baiano Luiz Gonzaga Pinto da Gama é filho de um fidalgo branco de origem portuguesa e da africana livre Luíza Mahim. Embora já tenha nascido livre, Luiz Gama foi vendido como escravo pelo pai, aos dez anos, para pagar dívidas de jogo. Autodidata, aprendeu a ler e a escrever, enveredando pelo campo do Direito. Criou fama de bom advogado, atuando contra a escravidão, conseguindo libertar mais de 500 escravos. Suas atitudes desdobraram-se em múltiplas frentes de combate à escravidão.

Fazendo de sua poesia uma arma, ele denunciou as mazelas sociais decorrentes da escravidão de maneira distinta do que faziam outros poetas e escritores de seu tempo. Em Gama, vê-se o negro tratando de sua própria realidade, desnudando-a, criticando-a. Em seus escritos, não há lamentos pela escravidão, mas denúncias contra o sistema.

Embora pouco numerosa, a obra de Luiz Gama é extremamente relevante, no panorama da literatura nacional, devido ao seu caráter inovador. O autor reivindica o reconhecimento do negro como fator significa

Diário da Manhã (GO), 30/11/2016