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Tributo Pesado

 

Nas suas memórias, afirmou o ex-presidente Harry Truman que é preciso ter saúde de ferro para ser presidente. Ele se referia à presidência americana, mas a afirmação de Truman vale para todos os países presidencialistas. Vêm estas considerações a propósito do acidente cardiovascular sofrido pelo presidente da França, Jacques Chirac.


Confesso que, acompanhando sempre os jornais franceses e por ter estado muitas vezes na França, não estranhei que o dinâmico Chirac ainda pagaria o pesado tributo que a presidência impõe a todos que a ela aspiram e conseguem a apreender.


Sabem os estudiosos, como advertiu o ensaísta Arold Laski, que o presidencialismo não deveria ter saído dos Estados Unidos, pois gerou onde foi instituído uma ditadura próxima de ser efetiva no cotidiano. O presidencialismo é um regime altamente explosivo, como comprovam as revoluções que pontilharam até agora a América Latina, abarcada do México ao sul do continente.


O presidente Jacques Chirac está despendendo enorme esforço para se reeleger presidente da República Francesa. Prepara-se para enfrentá-lo um relativo pré-candidato, Nicolás Sarkozy, jovem já triunfante na carreira política e também no efetivo apoio dos meios de comunicação. Correndo o risco de se reeleger, Jacques Chirac foi atacado pelo acidente cardiovascular, uma nota provável numa pessoa que se encontra em sua situação.


Todos os que admiramos a França acompanhamos sua vida política com interesse. Daí fazermos votos para que se restabeleça e concorra à reeleição. Quanto ao resultado, é a incógnita de todos os pleitos, resolvida só quando o juiz proclama o vencedor e assina a respectiva ata.




Diário do Comércio (São Paulo) 15/09/2005

Diário do Comércio (São Paulo), 15/09/2005