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A nova agenda social de Vorcaro

Um histórico milionário paulistano vendeu sua mansão na avenida Paulista para uma construtora por uma fábula e, como não queria sair dali, exigiu também um apartamento ocupando toda a cobertura do prédio que seria levantado no lugar. Sua mulher estrilou: "Mas, Fulano, vamos ter de nos espremer em 1.000 metros quadrados???". Mostra que Ernest Hemingway não estava de todo certo ao responder à pergunta de F. Scott Fitzgerald sobre a diferença entre os ricos e os pobres. "Os ricos têm mais dinheiro", disse Hemingway. Não só isso —precisam de mais espaço.

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro gosta de espaço. É uma marca de seus muitos imóveis —são panorâmicos, cinemascópicos. Vorcaro tem, por exemplo, uma mansão em Orlando, na Flórida, com 3.500 metros quadrados, tomando boa parte do condomínio Isleworth, no valor de R$ 180 milhões. Como se dá bem na Flórida, tem outra menor, mas mais chique, em Miami, com 1.900 metros quadrados, valendo R$ 460 milhões.

Por seus negócios com os poderes da República, Vorcaro precisa de instalações à altura em Brasília. Sua casa no Lago Sul tem 1.700 metros quadrados e mais 4.300 metros quadrados de área privativa —ele não gosta de vizinhos enxeridos. À guisa de pied-à-terre em São Paulo, espreme-se num apartamento de 999 metros quadrados no Itaim Bibi. Mas, naturalmente, a joia da coroa é sua casa em Trancoso (BA), com 12 suítes e cinco bangalôs, num terreno de 40 mil metros quadrados, no valor de R$ 300 milhões.

Para os grandes eventos, Vorcaro é exigente. Seu noivado, num palácio do século 2° d.C., na Villa Adriana, em Roma, custou-lhe R$ 21 milhões. E uma big festa, que teria acontecido em Taormina, na Sicília, foi orçada em R$ 200 milhões, incluindo o cachê do Coldplay e reservas no hotel San Domenico Palace (originalmente um convento do século 14).

Tudo isso para dizer que os domínios de Vorcaro neste momento espalham-se por uma cela de 9 metros quadrados na Papuda e sua agenda social compõe-se de 22 horas de isolamento. Mas, com duas horas de banho de sol, já dá para pegar um bronze.

 

Folha de São Paulo, 11/03/2026