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Comédia Italiana

 

O presidente da República, o Lula dos velhos tempos do sindicalismo, parece perdido no cipoal do Ministério por ele formado no começo do governo "soi disaant" de trabalhadores. Li n' O Globo de 20 deste mês, uma reportagem verdadeiramente jocosa. O presidente nomeia, depois constata que era outro a ser nomeado, demite o recém-nomeado e nomeia o outro, tudo às carreiras, por ser necessário apressar a suposta reforma, quando de reforma não há nada, mas nomeações e demissões de velhos companheiros de viagem, como diziam os comunistas em outros tempos. O que veio à mente, da leitura da reportagem do influente jornal do Rio de Janeiro, foi uma daquelas comédias italianas, sem pretensão, mas que eram deliciosamente engraçadas, por espicaçarem o traço italiano, que é naturalmente comediante.


Tive a impressão de estar assistindo a um filme de De Cicca, com os comediantes da Cinecittà. Alberto Sordi, Ugo Tognazzi e outros bons comediantes, que a Itália sempre os teve e De Cicca dirigiu tantos. Daí a extração deles para compará-los com os próceres do PT e, sobretudo, com o presidente Lula, um bravo amador - que não faz nada direito - levado à suprema magistratura da nação pelos artifícios da democracia ou, mais apropriadamente, da demagogia, que campeou desenfreada na campanha presidencial da qual saiu vitorioso o antigo torneiro mecânico enroupado na Presidência, na qual até hoje ele não coube. Evidentemente, Lula supunha que tinha ciência insuflada da política, como os santos a têm da teologia. O resultado está ao nosso alcance, na tremenda crise que assola a nação, para acabar influindo na economia, embora o Fisco tenha arrecadado volume maior de dinheiro.


Muito a propósito, numa biografia do ministro da economia de Napoleão II, li sua opinião sobre crises políticas. Disse ele, dêem-me boa política, que lhes darei boa economia. O jornal O Globo - cito-o mais uma vez, em editorial de sua responsabilidade, que o presidente Lula deveria aproveitar a economia para se impor, como se impôs aos eleitores que o sufragaram. Há mais de século e meio, o ministro de Napoleão II já pensava com realismo sobre a relação entre crise política e economia. E nós, mesmo, temos exemplos nas crises políticas, muito menores do que a atual, que ficaram registradas na História deste pobre País. Enfim, vamos ver até aonde chegam, em absurdos, surpresas, saques bilionários em bancos adrede escolhidos, para abastecer a caixa do PT. Mas, a imagem fixada na memória, da comédia italiana, parece-me atualíssima, notadamente quando a imprensa nos mostra a incapacidade dos delegados da eleição ao governo de um povo, de cumprir, por incompetência, sua missão legal.




Diário do Comércio (São Paulo) 25/07/2005

Diário do Comércio (São Paulo), 25/07/2005