
O dia em que Jânio renunciou
[2]Estávamos em maio de 1960. JK inaugurara Brasília um mês antes, no dia 21. E, no firmamento brasileiro, só uma estrela brilhava, que era a sua.
Estávamos em maio de 1960. JK inaugurara Brasília um mês antes, no dia 21. E, no firmamento brasileiro, só uma estrela brilhava, que era a sua.
Lamentemos inicialmente que a morte tão cedo tenha levado o acadêmico José Guilherme Merquior, quando ele estava na plenitude do seu talento e muito poderíamos esperar da sua inteligência fulgurante. Trata-se do meu antecessor direto na cadeira nº 36 da ABL. Mas não o conheci pessoalmente.
A obra de Jorge Amado remonta àquele tempo de “gestação de cidades”, tão precisamente reconstituído em O menino Grapiúna, até chegar ao impasse urbano, quando “a liberdade, a invenção e o sonho”, antigas legendas plebiscitárias, parecem agonizar, enredadas no cortejo dissoluto da modernidade.
O segundo turno nos beneficia de um duplo salto na maturidade cívica do país. Voltou-se ao debate para a definição de razões de decidir no pleito, abandonando a presunção das avalanches fatais como se anunciava a da eleição de Lula. De outra parte tornou-se nítida a consciência da mudança, no novo avanço de votos do petista. Muito da ameaça a Lula não teria passado do pito, sem, de fato, nos ameaçar da torna ao país de sempre.
As palavras são do Papa Bento XVI: "Na educação das novas gerações, a questão da verdade certamente não pode ser evitada: ao contrário, deve ocupar um espaço fundamental." Como responsáveis pela condução do sistema de ensino do Rio de Janeiro, hoje com mais de 1,6 milhão de estudantes, temos procurado levar isso em conta, como pode testemunhar a coordenadora de Educação Religiosa, professora Valéria Gomes. As escolas não podem ser objeto de uma espécie de "negociação da fé", como se isso fosse possível.
Não sei se foi Santo Agostinho ou São Tomás de Aquino que disse ser o Bem uma via única e o Mal uma encruzilhada de caminhos. Pensei nisso ao saber que o dinheiro que comprou o tal dossiê passou por muitos intermediários e chegou a um bicheiro.
As formas de violência, na sociedade dos nossos dias, apresentam aspectos múltiplos. Lembramos os fatos do cotidiano – e a comprovação é mais que evidente. Por exemplo, o alto índice de abandono das escolas de nível médio pela troca por um possível emprego, mesmo que seja precário. Estudos da PUC e da UFRJ comprovam que o atraso escolar no morro é 34% maior do que no asfalto. Uma das razões mais plausíveis pode estar na economia interna da favela (1,8 milhão de habitantes do Rio), que favorece a absorção de mão-de-obra em atividades de menor exigência educacional. Reclama-se também da pouca participação dos pais no processo ensino-aprendizagem.
Sou um pernambucano arretado e apaixonado pela terra de Machado de Assis. Ao ser eleito presidente da carioquíssima Academia Brasileira de Letras, meu primeiro pensamento foi o de que os talentos do Nordeste – eu também mereci esta “colher de chá” – sempre mereceram acolhida aqui. A cidade representa uma plataforma permanente de lançamento dos meus conterrâneos.
Três prêmios internacionais, concedidos na Europa numa única semana, lançam luz sobre valores humanistas de que a cultura ocidental costumava se orgulhar nos últimos séculos e, de repente, resolveu consagrar fora de suas fronteiras. Em três dias seguidos, vimos nos jornais as fotos sorridentes dos asiáticos contemplados, cada um na sua vitória individual. Bem diferentes. Mas ligados em suas conquistas. No dia 12 de outubro, a indiana Kiran Desai surgiu como a mais jovem ganhadora do Booker Prize, o mais importante prêmio literário inglês. Era considerada um azarão, mas não se pode dizer que a decisão tenha sido uma surpresa. Para começar, é freqüente que os azarões ganhem esse prêmio (foi o caso, no ano passado, do excelente romancista irlandês, John Banville).
RIO DE JANEIRO - Embora o presidente da República tenha dois meses para escolher sua nova equipe (se é que vai mesmo mudar ministros), está aberta a temporada de caça aos ministérios, estatais e cargos de escalões superiores. Numa hora dessas, é obrigatória a leitura de dois capítulos de "Memórias Póstumas de Brás Cubas". O primeiro deles é "De como não fui ministro d'Estado". Consta de cinco linhas de reticências, dando a entender que tudo se passou nos conformes da política daquele tempo, que, afinal, não é muito diferente do nosso.
Estamos em plena semana da 14ª Paixão de Ler, promovida pela Prefeitura do Rio, quando mais de 1 milhão de jovens participam de sessões de leituras, assistem a esquetes sobre livros, vêem exposições de volumes de histórias, ouvem a palavra de autores conhecidos e com eles conversam.
RIO DE JANEIRO - Nenhuma novidade no fato de Saddam Hussein ter sido condenado à forca por um tribunal que sofreu pressões dos Estados Unidos, que ocupa o território iraquiano, onde se encontram fabulosas reservas de petróleo. Embora ainda caiba a apelação da sentença, é certo que Saddam terá o que merece.
RIO DE JANEIRO - Pergunto: estará passando a onda que andou pesada para os lados da pornografia, entendida em suas manifestações mais óbvias e agressivas: as revistas ditas eróticas e os filmes que foram classificados de pornochanchadas? Li algumas reportagens a respeito do assunto.
RIO DE JANEIRO - Organizada por Heloisa Seixas, uma coletânea de 60 artigos sobre cinema confirma Ruy Castro como um grande biógrafo de pessoas e fatos. Entre as pessoas, é obrigatória a citação das biografias de Nelson Rodrigues, Garrincha e, mais recentemente, Carmem Miranda; entre fatos, a bossa nova, as lendas e mitos de Ipanema etc. etc."Um Filme É para Sempre", seu último livro, é a biografia de dezenas de atos e fatos do cinema internacional. Ele não se limita, como os críticos convencionais, a resumir o enredo e a avaliar qualidades e defeitos das obras cinematográficas, acrescentando a ficha técnica de cada um.Ruy trata cada filme, cada ator, diretor e produtor como se fosse um personagem com gestação, nascimento, vida, paixão e, em alguns casos, morte. Ele não se limita a opinar ou a informar, coloca tudo dentro do contexto e das circunstâncias de sua época, tornando cada um dos artigos uma resenha completa do cinema como um todo. Ao lado de Antonio Moniz Vianna, José Lino Grünewald e Paulo Emilio de Sales Gomes, ele se fixa entre os grandes críticos do cinema de todos os tempos, com a vantagem de conhecer como poucos a música popular norte-americana, tornando seus comentários mais completos e definitivos.A atual coletânea tem pontos altos, como o ensaio sobre Busby Berkeley, o homem que fez a Depressão rebolar; John Wayne enterrado junto com o western; o "Terceiro Homem"; e o gostoso ensaio sobre a Geração Paissandu.No exemplar que me enviou, Ruy colocou uma dedicatória dizendo que "Victor Mature também é cultura!". Concordo. Tudo que passa pela mão de Ruy se transforma em objeto de cultura e, graças ao seu estilo inconfundível, objeto também de prazer.
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