[1] O fim da dedada num boteco do Leblon
[2]- Você já tomou a dedada este ano?
[1] - Você já tomou a dedada este ano?
[3] RIO DE JANEIRO - “Eu sei o que é o tempo. Mas se me pedirem para dizer o que é o tempo, não saberei dizê-lo”. A citação (de memória) é de Santo Agostinho, um dos pensadores mais admirados e citados a partir da segunda metade do século 20. Gênio em todos os sentidos, na vida e na obra.
[3] FAMÍLIA DE 17 PESSOAS chegou ao Rio de Janeiro em 1922, na terceira classe do “Re d’Italia”. Eram ucranianos, genericamente russos, mas, sobretudo, judeus. O patriarca, Joseph Bloch, tivera uma gráfica em Kiev, chegara a imprimir o dinheiro do efêmero governo de Kerenski. Decidira tentar inicialmente os Estados Unidos, mas a cota de imigrantes para aquele país estava fechada, a alternativa foi vir para o Brasil.
[6] O Grupo dos 20 apareceu na crise da Ásia do final dos anos 90, quando Malásia, Coréia, Tailândia, Hong-Kong e Japão entraram numa crise de liquidez e mergulharam numa recessão. Tivemos, também, as crises da Rússia, da Argentina, Brasil e outros países, onde quase fomos ao default. Com a globalização, nada deixou de ser global, principalmente a área financeira.
[3] Houve época em que os reis mais chegados à tirania mandavam cortar a língua dos mensageiros que traziam más notícias para o reino. Era um processo que julgavam eficaz para cortar o mal pela raiz.
[3] RIO DE JANEIRO - No recente encontro de Lula com Bento XVI, no Vaticano, o presidente brasileiro sugeriu que o Papa, em suas mensagens públicas, fizesse algum comentário referente à crise econômica e financeira que o mundo atravessa. Ignoro o que Bento XVI respondeu. É possível que tenha agradecido a sugestão, dado o caráter cordial e protocolar da visita.
[10] Seguir a trajetória de Fernando Pessoa é ter a oportunidade real de surpreender os momentos em que o poeta optou por uma escolha, abandonou uma tendência e fixou os rumos de sua vida. Tendo sido criado em Durban, na África do Sul, tornou-se aluno de língua inglesa, idioma em que também escreveu seus primeiros poemas e ensaios.
[3] Li não sei onde que o mundo vai realmente acabar quando o sol se apagar, daqui a exatos cinco bilhões de anos. Ignoro como chegaram a esse cálculo. Minha modesta calculadora não chega a tantos dígitos. Em todo o caso, a previsão baseada na ciência é mais confiável do que a profecia de Nostradamus, que mais uma vez pisou na bola, insinuando que iríamos todos para o beleléu na passagem do século 20.
[13] No fantástico filme de Ettore Scola O Baile, quase meio século da ainda recente história européia é reproduzida no mais improvável dos cenários, um salão de danças em Paris, freqüentado por solteirões e solteironas que dançam, flertam, brigam, reconciliam-se, mas sempre saem sozinhos. Os anos vão passando: os anos da ascensão dos partidos de esquerda, os anos da ocupação nazista, a Libertação, maio de 1968... Detalhe: nenhum dos magníficos atores e atrizes diz sequer uma palavra.
[6] Sou dos que receberam a eleição de Obama como o surgimento de um novo e grande momento para a humanidade, mergulhada na pior crise dos últimos tempos. Sua mensagem despertou tanta confiança que não pode fracassar.
[1] Apresso-me em tranqüilizar os que temem que, nas linhas abaixo, eu venha a expor uma intrincada trama, segundo a qual o presidente eleito Obama trabalhou sob identidade falsa na Petrobrás e agora seu primeiro plano de ação, em conluio secreto com os interesses petrolíferos do antecessor, é invadir o Brasil e levar com ele nosso precioso pré-sal. (Falar nisso, o jornal bem que podia pautar alguém para descobrir o que é pré-sal, porque só se fala nele, mas, ao que parece, ninguém sabe bem do que se trata - existirá alguma água no mar anterior ao sal, ou qualquer coisa assim, triste ignorância?)
[17] O centenário do falecimento de Machado de Assis está sendo lembrado com numerosos eventos e publicações e muito especialmente por iniciativas promovidas pela Academia Brasileira de Letras, da qual foi fundador e presidente. As celebrações, no seu pluralismo e diversidade, reiteram a consagração de Machado como o paradigma do nosso autor clássico. Clássico na acepção do autor de uma obra literária de reconhecida excelência; que se projeta no tempo da vida cultural; ocupa um lugar de inequívoca primazia no cânone da nossa língua e que, transpondo a barreira da tradução, vem sendo crescentemente acolhido no plano internacional, no rol dos grandes escritores da literatura ocidental.
[19] Machado de Assis foi a atração literária do ano. Sua vida e a vasta e musculosa obra serviram de pretexto para aulas, seminários, conferências e artigos. Como nunca houve antes neste país. A exposição na Academia Brasileira de Letras reuniu milhares de estudantes em visitas guiadas sem precedentes. É pertinente, por isso mesmo, um comentário sobre as ilações pedagógicas da obra do "bruxo do Cosme Velho". De propósito ou sem querer, a verdade é que a educação apareceu muito, até mesmo nas ironias do escritor carioca, que, se reportando a uma aula na escola pública que freqüentou, viajou com o pensamento nas asas de um papagaio de papel, enquanto a gramática era deixada em segundo plano. Nem por isso a sua escrita deixou de ser impecável, anos mais tarde.
[3] O GÊNERO romance tem duas vertentes básicas: a ação e a reflexão. Nada impede que o romance de ação contenha reflexão ("Guerra e Paz", "O Vermelho e o Negro", quase toda a obra de Zola, Balzac, Hemingway etc.). E também não impede que o romance de reflexão tenha ação "Gulliver", "Montanha Mágica", quase todo o Machado de Assis, quase toda a ficção de Sartre, Camus etc.).
[22] A crise pré-apocalíptica do sistema financeiro só tornou crucial a importância dos países emergentes na construção de um novo equilíbrio internacional, implicando à plena convivência com os dois colossos asiáticos, a China e a Índia. É o que exige, a prazo urgente, a reormulação do que sejam G-8s ou G-20s, na construção de um mundo que se deu conta do colapso final do capitalismo do após guerra e de Bretton Woods. Mas o que nesta ampla revisão de modelos globais importa é a revisão do contraponto político e econômico de um quadro de mudança, expresso pela esperada convergência entre desenvolvimento e democracia.
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