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Romancista baiano Antônio Torres toma posse na Cadeira 23 da ABL, fundada por Machado de Assis

“Aqui chega um baiano que está longe de representar a Bahia da grande oratória, que, no dizer de Jorge Amado, foi devidamente representado nesta Casa por seu antecessor, o nobre Otávio Mangabeira, como definiu o não menos nobre Luiz Paulo Horta, sucessor de Zélia Gattai, que sucedeu Jorge, que sucedeu Mangabeira, que sucedeu Alfredo Pujol, que sucedeu o Conselheiro Lafayette, que sucedeu Machado de Assis – o fundador da Cadeira que tenho a honra de vir ocupar”, disse o novo Acadêmico no início de seu discurso de posse.

O romancista baiano Antônio Torres, eleito no dia 7 de novembro do ano passado, tomou posse na Cadeira 23 – que tem como fundador Machado de Assis, primeiro Presidente da Academia, e, como patrono, José de Alencar –, em solenidade no Petit Trianon, no dia 9 de abril. Torres, que sucede o Acadêmico Luiz Paulo Horta, falecido no dia 3 de agosto do ano passado, foi recebido pela Acadêmica Nélida Piñon, responsável pelo discurso de recepção.

Logo após, o Acadêmico Alberto da Costa e Silva, convidado pelo Presidente Geraldo Holanda Cavalcanti, fez a aposição do colar. A seguir, os Acadêmicos Eduardo Portella e Antonio Carlos Secchin fizeram, respectivamente, a entrega da espada e do diploma. Os ocupantes anteriores da cadeira 23 foram: Lafayette Rodrigues Pereira, Alfredo Pujol, Otávio Mangabeira, Jorge Amado e Zélia Gattai.

O Prefeito da cidade de Sátiro Dias, antigo povoado de Junco, onde nasceu o Acadêmico Antônio Torres, Pedro Raimundo Santana da Cruz, e o Secretario de Cultura da Bahia, Albino Rubim, compareceram á posse e fizeram parte da Mesa, na companhia da Diretoria da ABL, representada pelo Presidente Geraldo Holanda Cavalcanti, o Secretário-Geral, Domício Proença Filho, e o Primeiro-Secretário, Antonio Carlos Secchin.

“A obra de Antônio Torres não se esgota em moderada abordagem. Com admiráveis irradiações poéticas, seus livros questionam o inconformismo de que padecem todos, empurrados por um destino torpe que sufoca sonhos e vidas. Enquanto deixa claro que o Brasil não nos pertence. Nenhuma cidadania está prevista. E menos ainda para os miseráveis que, nada tendo de seu, não têm sequer o direito de reclamar os filhos que foram tombando na estrada”, afirmou Nélida Piñon.

Encerrando o discurso, disse: “Acadêmico Torres, nesta noite, no plenário do Petit Trianon, graças a sua obra literária, o Brasil se integra uma vez mais. O sertão e a pólis se enlaçam. Uma circunstância que nos leva a louvar o grande autor que, vindo do Junco, enalteceu o Brasil. É propício, pois, proclamar que a Academia Brasileira de Letras o acolhe com orgulho. Seja bem-vindo a esta Casa, Acadêmico Antônio Torres”.

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O novo Acadêmico

Antônio Torres nasceu na Bahia em 1940 e estreou na literatura em 1972 com o romance Um cão uivando para a Lua, considerado pela crítica a revelação daquele ano. Hoje, entre os seus 17 títulos publicados, destaca-se a trilogia formada por Essa terra (1976), O cachorro e o lobo (1997) e Pelo fundo da agulha (2006).

Em 1998, foi condecorado pelo governo francês como Chevalier des Arts et des Lettres por seus livros traduzidos na França. Dois anos depois, teve o reconhecimento nacional definitivo ao receber o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto de sua obra. No ano seguinte, ganhou o Prêmio Zaffari & Bourbon, da 9ª Jornada Nacional de Literatura, da Universidade de Passo Fundo (RS), pelo romance Meu querido canibal.

O novo Acadêmico foi um dos ganhadores do Prêmio Jabuti de 2007, com o romance Pelo fundo da agulha. Seus livros focam cenários rurais, urbanos e da História e têm tido várias edições no Brasil e traduções em muitos países (Argentina, Cuba, Estados Unidos, França, Espanha, Alemanha, Itália, Holanda, Inglaterra e Israel). O romance Essa terra está em vias de tradução na Bulgária, Albânia e Vietnam.

De 1999 a 2005, foi Escritor Visitante da UERJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro – quando ministrava oficinas literárias, realizava aulas inaugurais e proferia palestras nos campus do Maracanã, da Faculdade de Formação de Professores – UERJ de São Gonçalo –, e da Faculdade de Educação da Baixada Fluminense – UERJ de Duque de Caxias.

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9/4/2014

08/04/2014 - Atualizada em 07/04/2014