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Discurso de recepção

Discurso de recepção por Guilherme de Almeida

Senhor Cassiano Ricardo,

A este cerimonioso “senhor” do bem simples protocolo acadêmico não se furtem, hesitantes, meus lábios, nem se neguem, surpresos, vossos ouvidos. Não há vislumbrar aí, por sensitiva e afinada que seja uma amizade, suspeita, a mais leve, do muito imperdoável crime de lesa-intimidade; com dizer e escutar esse “senhor”, nem são traidores os lábios meus que o dizem, nem traídos os ouvidos vossos, que o escutam. Esse trato formalista, isolante e distanciador, agora, aqui e assim interposto entre nós dois, é como aquele recuo estratégico dos acrobatas elásticos para o salto ágil e solto que galga mais alto e alcança mais longe... Esse momentâneo retrocesso sobre nós mesmos é, tão-só, como o da corda retesa que, para trás estirada forte e firme, do arco dispara a xara alada que voa e vara, ou do banjo lança o som redundante que ondula...

Afasta-nos esse “senhor”, um mortal instante, para nos aproximar numa instantânea imortalidade...

Uma parábola

Ah! a imortalidade acadêmica!

A Academia vem sendo uma parábola santa e uma fábula profana.

A Academia vem sendo semelhante à vinha do Senhor, à qual muitos são os chamados e poucos os escolhidos; e, por mourejar na qual, pressurosos ou retardatários, todos, em vindo a noite, recebem igual dinheiro, o mesmo quinhão de imortalidade.

Mas também a Academia vem sendo semelhante à vinha da fábula: astutas e lambareiras raposas não faltam, que lhe lambam ou devorem os cachos fáceis, ao rasteiro alcance da sua gula; mas que, ao farejarem de baixo os inacessíveis, opimos frutos que o sol no alto adoça e redoira, despeitadas os depreciem e se afastem, aguadas, regougando desdéns...

As raposas

As raposas... Lembro-me. Fui também elevado, um dia, a esta nunca sonhada e pouco merecida altura. Alguém, então, me observou:

– Mas, como?! Você, “moderno”, na Academia! Então “modernos” não são contra a Academia?
– Não. Os “modernos” não são propriamente contra a Academia: eles são apenas contra o fardão acadêmico.
– Contra o fardão?...
– Ora! Eles vêm passar os fardões e resmungam: “Estão verdes!”

O que não escarneceu

Não fostes – nunca! –, Sr. Cassiano Ricardo, dos que menosprezaram a Academia. Da vossa quietude bem-educada e do vosso silêncio respeitoso, mesmo quando, em 1922, mais sanhuda e bulhenta ia pelos arraiais “modernistas” a grita antiacadêmica, nunca pulou gesto nem escapou palavra de combate ou escárnio. Tal quietude e tal silêncio, só agora, há pouco, os quebrastes, para apenas afirmar, perto agora, bem perto do nosso coração, que é este “o planalto da cultura brasileira”, que este é o “reduto supremo em que se apóia, neste instante, a nossa soberania de espírito e de sentimento”. Como poeta o dizeis. Vindes como poeta. Bendito seja o que diz bem ao nosso coração! Bem-vindo seja o que vem bem ao nosso coração!

Um auto-retrato

Bela e humanamente falastes, Sr. Cassiano Ricardo, daquele à cuja última, leve e ainda morna sombra tomais assento nesta Casa. Mas, dele falando, de vós mesmo foi que falastes.

Dissestes, há pouco: “O momento mais bonito: aquele, que reservo para os meus exercícios de sinceridade.” Ora, acabais de viver agora, aqui, um desses momentos – e talvez o maior e melhor – da vossa vida. Elegantemente exercitastes a vossa sinceridade. E fartamente. Aquele que fala de si mesmo, vestindo-se para aparecer em público, esconde-se sob palavras; falar de outrem, isto é, despir-se para, com as suas vestes, cobrir a alheia nudez, é inda a mais simples e útil maneira de revelar-se, mostrar-se alguém tal qual é. Retratando o vosso imediato antecessor nesta Cadeira acadêmica, nitidamente vos retratastes a vós mesmo. E que parecidíssimo auto-retrato!

A saúde mental

Pintastes aqui o quadro esportivo da vossa perfeita saúde mental, quando, falando do especialíssimo lugar que ocupa Paulo Setúbal na estante que dedicais aos vossos escritores de cada momento, contais a ginástica sadia que praticais com aqueles “exercícios de sinceridade” e os vossos freqüentes treinos de pugilismo contra a palavra, “o nosso inimigo número um, toda vez que somos sinceros”...

A sensibilidade

Riscastes aqui as finas linhas da vossa estilizada sensibilidade, quando, referindo-vos, sem respeito humano, ao “único livro que vos fez chorar”, revelastes aquela íntima higiene de “chorar sem tristeza, sem filosofia, mas pelo encantamento de limpar a alma”, lavando-a nessas lágrimas “amigas e generosas, fecundas e benfazejas”, que “brotam como estrelas, em silêncio”, para provarem que “ainda temos uma alma neste mundo que está ficando sem alma”...

O sábio

Desvendastes aqui todo o luminoso, mas calmo, cenário da vossa sabedoria boa e simples, quando, ao comentar a interrogativa curiosidade daquele que nessa Poltrona vos precedeu, afirmastes, com a singeleza comovedora das autênticas convicções, que “só interrogam assim os sábios e as crianças: estas, porque querem saber; aqueles, porque não sabem ainda”...

O filósofo

Descerrastes aqui todo o secreto e precioso tesouro da vossa sã filosofia, quando, analisando aqueles encontros e desencontros do drama espiritual de Paulo Setúbal, dissestes: “À medida que a gente vive, vai limitando cada vez mais a personalidade. Em vez de fazê-la aparecer, vai obscurecendo a sua fisionomia. Os traços físicos ajudam esse trabalho de limitação e complicação. Cada dia que passa cria um limite, e cada ano ergue uma barreira diante da nossa verdade interior. Nenhum de nós, no fim de contas, consegue ser o que é. Há indivíduos que se parecem com outros, mas não há nada mais difícil do que um indivíduo parecer-se consigo mesmo...”

O sociólogo

Delineastes aqui o vosso firme perfil de sociólogo atilado, quando, fundamente sondando tudo o que é nosso – terras e gentes –, descobristes que “a civilização mecânica não nos separou deste nosso contacto amoroso com as forças primitivas”; que tudo, aqui, “é procura, tudo é material inédito de construção humana”; que “nesta madrugada rumorosa não cabe a deformação da vida através de teorias que pensadores e sofistas engendram lá fora; e que estamos vivendo ainda, e graças a Deus, aquela idade em que o povo não sabe mentir”...

O crítico

Patenteastes aqui a nítida figura de crítico vivaz e sensível que sois, quando, estudando o sentido visualista do romance histórico de Paulo Setúbal, concluístes que “somos um povo em cuja literatura rareiam os introvertidos”; que “a nossa arte, a que verdadeiramente ficará, é toda um diário de surpresas diante das coisas, um diálogo comovido entre a nossa alma e os sortilégios de um mundo criança”...

O político

Desdobrastes aqui, ao descrever o surpreendente quadro de O Brasil no Original, o panorama verde e claro da vossa inteligência política, preconizando “a criação de uma polícia da inteligência, que vele pelos destinos da nacionalidade”...

O artista

Enunciastes, aqui, no expor e analisar o “pensar brasileiramente” de Paulo Setúbal, todo o vosso credo artístico, que é “originalidade ou morte!”; que é a defesa da Pátria “com a grande e invencível arma da sua originalidade”; que é saber fundir indissoluvelmente Arte e Pátria, pois “quando o escritor cumpre o dever da sua inteligência para com a sua Pátria, está cumprindo um dever para com a sua própria arte, porque não existe arte sem Pátria”; que é ver na pura arte democracia pura, porque, “se arte é necessidade de expressão, se o artista não cria para si, mas para transmitir a outros a sua emoção, claro é que arte é democracia”...

O patriota

Desenrolastes aqui a perspectiva forte e nítida do vosso incontido e contagioso patriotismo, do vosso inspirado e inspirador nacionalismo, afirmando a vossa “razão brasileira de humanidade”, porque “quis o destino que houvesse vinte e uma formas de servir ao Brasil”, e vos deu uma delas, e estais satisfeito com a que vos coube “nessa partilha fraterna, nessa divisão geográfica de trabalho para um só objetivo histórico”...

O poeta

E, para completar, afinal, o involuntário e, portanto, sincero e fiel auto-retrato que vos foi irresistivelmente escapando da pena que retratava a Paulo Setúbal, revelastes-vos poeta, poeta total, isto é, o ilusionista iludido, quando, há pouco, com estas últimas, porém, primeiras palavras vossas, a nós vos apresentastes: “Venho de Piratininga, senhores acadêmicos. Só não trago esmeraldas!” Engano, Sr. Cassiano Ricardo! Engano afirmativo do poeta legítimo que sois!

As esmeraldas

“Só não trago esmeraldas!”

Ora! Só esmeraldas nos trazeis.

Vem abarrotado de pedras verdes o rude surrão de coiro da vossa rápida arrancada até aqui. Pedras que – na vossa constante obsessão do verde, que é a bem marcada nota de toda a vossa poesia – à terra arrebatou o arranhão de ferro da vossa charrua arrastada com ardor... Pedras verdes: hastilhas límpidas espirradas da carne viva das vossas muito amadas terras, gentes e coisas... Parcelas da selva felpuda de feltro e pelúcia...; lascas saltadas de rios de esmalte e cristal estalados ao sol...; torrões estorricados de morros torrados de modorra e mormaço...; fragmentos violentos de ventos verdoengos e de ondas redondas...; fiapos, farrapos de penas fugidas do vôo desfiado de estrídulas aves..; pedaços do fósforo aceso no olhar vertical das onças sinuosas...; fatias vibrantes de cobras nervosas fugindo na relva...; partículas moles de mornas lagartas derreadas nas folhas...

Verde, tudo verde!

Vem atestado de esmeraldas o vosso alforje. São gotas de leite verde que os seios de montanha da terra, então impúbere, femininamente, souberam negar outrora ao desvirginador, seu namorado; mas que, maternalmente, não puderam agora recusar ao poeta, seu filho... São as vossas imagens verdes: estilhaços, na vossa arte panteísta, das vossas muito amadas terras, gentes e coisas...

Quantas esmeraldas!

Esmeralda é aquela selvagem e corajosa confissão de A Flauta de Pã:

Nasci para viver no mato, ó minha musa
de olhos verdes! bebendo o orvalho e ouvindo as coisas,
as lindas coisas que me diz a alma confusa,
toda enredada de cipós, do próprio mato...

Esmeraldas são aqueles vossos verdes instantes de esperança e tristeza, que vivestes à luz amorosa de A Mentirosa de Olhos Verdes:

São verdes como a esperança
as horas em que sou triste:
bem que existe não se alcança;
procuro o que não existe...

Esmeraldas são aqueles fortes Borrões de Verde e Amarelo, em que falais ao estrangeiro:

... Ó loiro imigrante,
o meu país é todo um rútilo tesouro
nas tuas mãos; toma a enxada
e vai plantar a semente de ouro
na terra de esmeralda!

em que descreveis aquela manhã nacional que, ao ver a onça indígena pular do mato,

à semelhança de uma caçadora
saiu por trás da montanha verde
e, esticando o horizonte em forma de arco,
lhe arremessou de pronto uma flecha de sol!

em que cantais os verdes acúleos da laranjeira florida:

E quantas noivas tornarão pelos caminhos, sob a tarde bucólica,
para chorar depois sobre os frutos do chão.
Porque passam as flores.
Os frutos doirados também passarão;
mas os espinhos, aqueles verdes espinhos da laranjeira simbólica,
esses, por certos, ficarão...
Espinhos verdes da laranjeira,
verdes punhais no coração;

em que descobris, no fundo da floresta, “esmeralda monstruosa”, a árvore emblemática da Pátria; e lhe dizeis:

Podem os mata-paus de tentáculos verdes
crucificar-te inteira, haurir-te a seiva jovem;
a tua maldição é uma penca de frutos,
e dos teus braços nus, ou vestidos de musgo
as flores do perdão continuamente chovem...

Esmeraldas são os papagaios religiosos da vossa Terra Papagalorum, que vieram, durante a primeira missa no Brasil,

solenizados nos seus fraques verdes
ouvir aquela fala resmungada
que parecia um cântico de alvorada dito em latim...

são aqueles cafeeiros da Canção do Monjolo:

Os cafeeiros, quais soldados muito verdes,
marcham de dois, de dois em dois, contra o sertão...

Esmeraldas são todas as páginas do vosso Martim Cererê, o livro da Gênese Verde do nosso verdadeiro Antigo Testamento, com o seu Éden verde:

o país das palmeiras
que era todo um rumor
de água clara
e de alegria matinal;

com a sua Eva verde, a Uiara,

uma estranha mulher muito linda,
muito clara,
como ainda não houve no mundo
outra igual:
cabelos verdes, olhos amarelos...;

com o seu demônio verde – a Cobra Grande – oferecendo o fruto proibido de todas as tentações – a Noite:

Uma espécie de coco
crivado de espinhos por fora
mas cheio de enorme mistério
por dentro...
A noite está dentro
desta fruta do mato:
e ela é quem dá o amor...

com o seu Adão branco falando à Uiara verde da sua vinda e do seu amor:

Eu vim do mar! Sou filho de outra raça!
Para servir meu Rei, andei à caça
de mundos nunca vistos nem sonhados!
ora de braço dado com a procela,
ora a brigar com ventos malcriados.

Trago uma  cruz de sangue em cada vela!
E na crista do oceano, em meio do escarcéu,
dentro da solidão azulada e redonda,
quanta vez me afundei no côncavo de uma onda
e quanta vez bati com a cabeça no céu!

E assim, como um brinquedo em mãos da tempestade,
vim tonto da ambição que me trouxe até aqui!
Decerto que a ambição pode mais que a saudade...
Ambas me foram ver à hora em que eu parti.

A saudade enxugou-me os olhos, tão sincera,
como se me dissesse o adeus do nunca-mais.
A ambição de olhar verde exclamou junto ao cais:
“Vai, ó lobo do mar, que eu fico à tua espera!”

E agora, ó Terra brava, eu sou um rouxinol...
Quero viver cantando à beira do regato!
E o teu beijo colher, que é uma fruta do mato,
no teu corpo pagão salpicado de sol!

E agarrar-me depois aos teus seios de luar,
nauta que atravessou centenas e centenas
de ondas em fúria e veio naufragar,
depois de tanta luta, em duas ondas morenas
que valem muito mais, em sendo duas apenas,
do que todas as ondas que há no mar...

Eu vim do mar! Sou filho da procela!
Trago uma cruz de sangue em cada vela!

Para melhor sentir a glória de te amar,
lobo do oceano acostumado a tudo,
estenderei o coiro de um jaguar
sobre este chão que ficará um veludo
mais verde, mais macio do que o mar!
E, tão grande há de ser, afinal, nossa luta,
sobre o leito trançado de cipós,
que a noite cairá como uma coisa bruta
suando pingos de estrelas sobre nós!

E houve, no Éden verde, o verde pecado, não punido pela espada de fogo, mas abençoado pela Cruz de Estrelas, porque

... a dor de pensar não chegará tão cedo
a um mundo que é inocência, é um brinquedo;
onde tudo é tão verde e a terra tão criança
que a própria nostalgia tem um gosto
de lágrimas misturadas com esperança!...

E aí, dos amores assustados da Uiara verde com o homem branco, nasceu toda aquela fabulosa geração de Gigantes de Botas de Sete Léguas, partindo de São Paulo

na verde manhã de garoa
tão cheia de coisas remotas...;

e indo bater à porta do sertão assombrado. É André Leão fincando o pé no mataréu medonho, onde o Currupira, de olhos verdes e cabelos encarnados, vai à frente, “ensinando os cipós a darem nós cegos no chão”, e esperando que o gigante dormisse e furtando-lhe tudo da bruaca de coiro, para que ao despertar ele se visse amarrado

sem roteiro, sem oiro,
sem nada
na cruz de uma encruzilhada...;

é Borba Gato, vendo tudo sair correndo e gritando, espavorido,

quando ele arrombou, num soco,
a porta verde do sertão...;

é Anhangüera, O Diabo Velho, incendiando as águas bravias; e, ante o milagre,

então, a montanha
tocada de estranha magia,
abriu o seu cofre de gruta,
tirou a mais bela
das jóias verdes que possuía
e exclamou: isto é seu!

Então o riacho,
num abraço de espanto,
ainda sujo de terra,
lhe ofereceu de presente
todo o ouro que havia escondido
no leito de barro: isto é seu!

Um pelotão de jacarés em coro
abriu-se todo em ângulos vermelhos
de bocas em serra.

Ó Diabo Velho! Ó ladrão de oiro!
E todos os bugres, tomados de assombro,
caíram com a face e com os joelhos no chão,
a gritar por quem era
Anhangüera!
Anhangüera!...;

é Fernão Dias, o deus vagabundo, a quem as léguas vieram receber no mato, enleando-se em novelos nos seus pés, mas que passou

esmagando a cabaça das léguas
com as botas de couro,

desafiando e desfiando cada morro que

era um enorme carretel de léguas verdes enroladas
que ele desenrolou puxando uma atrás de outra
numa fita vermelha de estradas!...;

é Raposo, que entrou no mato “levando o novelo do nosso destino”:

Saiam todos da frente
que eu quero passar;
não perguntem quem sou,
nem procurem saber aonde vou,
que eu não posso parar!
Saiam todos da frente
que eu quero passar!,

e que passou, e que transpôs cordilheiras, e que “levou o recado de um oceano a outro oceano”, e em cujo rastro

...o mapa do Brasil ficou cheio de riscos
que ele riscou com lápis verde e com tinta encarnada
p’ra marcar os lugares por onde passou na garupa dos rios,
e onde deixou cada légua esticada num leito de estrada!;

é toda a verde história, que, com as suas múltiplas línguas de água verde, o Tietê vai contando,

... dos velhos gigantes,
que andaram medindo as fronteiras da pátria,
ao tempo em que São Paulo colocava os sapatões atrás da porta
e os sapatões amanheciam cheios de oiro...
e os sapatões amanheciam cheios de esmeraldas...
e os sapatões amanheciam cheios de diamantes...!

Os dois bandeirantes

Verde, tudo verde!

Quantas esmeraldas nos trazeis, Sr. Cassiano Ricardo!

E se a Academia vos pergunta agora, como ao bandeirante, vosso maior, perguntara outrora el-rei, quanto pedis em paga de tão generoso tesouro, bem podeis, paulista de hoje, como o paulista de ontem, responder:

– Se venho dar, como hei de pedir?!