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Biografia

Sexto ocupante da Cadeira n.º 29, Geraldo Holanda Cavalcanti foi eleito no dia 2 de junho de 2010, na sucessão do Acadêmico José Mindlin, e recebido no dia 18 de outubro de 2010, pelo Acadêmico Eduardo Portella. Em dezembro do mesmo ano foi eleito Tesoureiro e em 2011 Secretário Geral, tendo sido reconduzido em 2012. Em 2013 foi eleito Membro Correspondente da Academia das Ciências de Lisboa. Presidiu a Academia Brasileira de Letras em 2014 e 2015.

Geraldo Holanda Cavalcanti nasceu no Recife, em 6 de fevereiro de 1929. Fez o curso secundário no Colégio Nóbrega. Diplomou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito do Recife, em 1951, após estágio realizado na Academia de Direito Internacional da Haia, no ano anterior. É Membro Efetivo da Academia Mexicana de Direito Internacional.

Carreira diplomática

Entrou para o serviço diplomático, por concurso direto, em 1954. Como Terceiro Secretário, serviu na Divisão Cultural e no Departamento Econômico e Consular, ocupando-se de aspectos jurídicos das relações internacionais em ambas as funções. Removido para a Embaixada em Washington, em 1956, participa da Comissão Encarregada de Redigir os Estatutos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Em 1959, convidado pelo Embaixador Roberto Campos, à época Presidente do então Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico (BNDE), regressa ao Rio de Janeiro para criar, a Divisão de Contratos e Convênios, da qual foi o primeiro chefe. Removido para o Consulado em Genebra, em 1960, no ano seguinte assessora o Embaixador Roberto Campos nas negociações para consolidação da dívida pública brasileira e a obtenção de créditos financeiros e de desenvolvimento junto aos governos e às instituições bancárias da República Federal da Alemanha, Bélgica, França, Holanda, Itália, Reino Unido, Suécia e Suíça.

Em 1962, é promovido a Segundo Secretário e removido, outra vez, para a Embaixada em Washington. Participa, como delegado, nas conferências internacionais sobre o café (1962) e o cacau (1963). Em 1963 é designado Coordenador Geral da Preparação à Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), a realizar-se em Genebra, em 1964, da qual participa como delegado. Nesse mesmo ano, é removido para a Embaixada em Moscou, onde assume a direção do setor econômico. Em 1966, promovido a Primeiro Secretário, assume o setor político da Embaixada.

Em 1967 é posto à disposição do Ministério da Indústria e Comércio para assumir a chefia do Escritório do Instituto Brasileiro do Café, em Nova York onde permanece três anos durante os quais exerce, igualmente, as funções de Presidente do Bureau Panamericano do Café e do Instituto de Preparação do Café, naquela cidade, assim como as de Representante do Brasil no Conselho Internacional do Café e de Presidente do Comitê Mundial de Promoção do Café, ambos em Londres.  Em 1970 é convidado pelo Chanceler Mário Gibson Barbosa para ocupar, como Encarregado, o Consulado Geral em Hong Kong, com a função de observador da China continental.

Promovido, em 1973 a Ministro de Segunda Classe é removido para a República Federal da Alemanha, onde assume as funções de Ministro Conselheiro na embaixada em Bonn. Em 1974, é convidado pelo Chanceler Antonio Francisco Azeredo da Silveira para integrar seu Gabinete onde exercerá, sucessivamente, as funções de Vice-chefe  do Gabinete, Assessor Especial na área de planejamento estratégico, e, ao ser promovido a Ministro de Primeira Classe, em 1976, a do cargo ad hoc de Secretário Especial de Assuntos Políticos e Econômicos da Área Internacional Bilateral.

Em 1978 é designado Embaixador junto a UNESCO. Nessa qualidade, chefiou um número considerável de Delegações a Conferências e reuniões de caráter internacional, das quais se destacam, a Conferência Intergovernamental sobre Estratégias e Políticas de Informática (Torremolinos, 1978), a Conferência Internacional de Estados sobre a Bitributação dos Royalties Relativos a Direitos de Autor Transferidos de um País a Outro (Madrid Málaga, 1979), a Conferência Intergovernamental sobre Informação Científica e Tecnológica para o Desenvolvimento (Paris, 1979); a Conferência das Nações Unidas sobre Ciência e Tecnologia a Serviço do Desenvolvimento (Viena, 1979); a Conferência Internacional sobre Atividades, Necessidades e Programas Relativos ao Desenvolvimento das Comunicações (Paris, 1980); além das reuniões regulares do Programa Hidrológico Internacional, da Comissão Oceanográfica Internacional,  do Conselho de Coordenação do  Programa do Homem e a Biosfera e do Conselho Internacional do Programa Geral de Informação. Coube-lhe, igualmente, participar das reuniões do Comitê do Patrimônio Mundial das quais resultaram as inclusões das cidades de Ouro Preto e de Olinda na Lista do Patrimônio Cultural da Humanidade.  

Como Embaixador no México (1982-1986), ademais dos aspectos bilaterais da missão, boa parte da ação diplomática se desenvolveu em entendimentos coletivos no encaminhamento de soluções para os problemas continentais e regionais. Foi chefe das delegações brasileiras à Conferência Mundial sobre Políticas Culturais (México, 1982); à Reunião de Especialistas sobre o Projeto Regional Maior para a Utilização e Conservação dos Recursos Hídricos nas Áreas Rurais da América Latina e do Caribe (México, 1982); à Reunião Intergovernamental sobre Estruturas para a Formulação e Implementação de Políticas sobre Ciência e Tecnologia na América Latina e no Caribe (México 1982); às reuniões do Comitê Intergovernamental de Ação de Apoio ao Desenvolvimento Econômico e Social da América Central (México, 1984); à Reunião Especial de Representantes Governamentais de Alto Nível da Associação Latino-americana de Integração (Acapulco, 1985); à Sessão Extraordinária da Junta Interamericana de Cooperação para a Agricultura (México, 1986); à Reunião de Representantes Especiais Integrantes dos Grupos de Contadora e de Apoio para Solução de Conflitos entre Países Caribenhos (México, 1986); e, em representação do Ministro da Justiça do Brasil, à Reunião Regional de Ministros e Procuradores Gerais de Justiça para Exame de Medidas Restritivas ao Comércio Internacional de Drogas Ilícitas (Puerto Vallarta, 1986).

Durante sua missão no México atuou ainda como Membro do Conselho Diretivo e Presidente do Comitê Executivo do Instituto Indigenista Interamericano, do sistema da OEA (1982-1986), e como Membro do Conselho Diretivo do Instituto Pan-americano de Geografia e História, da mesma Organização (1982-1983).

A missão como Embaixador junto à Comissão das Comunidades Europeias, em Bruxelas (1986-1990), tinha caráter eminentemente político, embora boa parte das negociações bilaterais com ela empreendidas pudessem ter relação com a atividade econômica (redução das barreiras tarifárias e não tarifárias no comércio). Inerente ao cargo era a representação junto ao Parlamento Europeu, com sede em Estrasburgo. Juntamente com os Embaixadores da Argentina, do Paraguai e do Uruguai, inicia os contatos oficiais entre o MERCOSUL e a União Europeia e prepara a primeira visita dos chanceleres dos quatro países do Mercosul ao Presidente das Comunidades, bem como os encontros dos Ministros das Relações Exteriores dos países do Grupo do Rio e dos países da CEE realizados em Roma e em Dublin (1990).

Em 1991 requer dispensa do cargo e aposentadoria antecipada. 

Após a Carreira diplomática

De regresso ao Brasil é nomeado Presidente da Ericsson Telecomunicações, em São Paulo (1991-1993), mas continua a participar de seminários sobre as relações entre o Brasil e a União Europeia, notadamente com a Fundação Konrad Adenauer (em Bonn e em Montevideu), o SELA (Caracas), o Club de Empresários Europa-Argentina (Buenos Aires), o Instituto para as Relações Econômicas com a América Latina – IRELA (Madrid) e o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos – IIEI, de Lisboa. Em 1994 é convidado a participar da The Atlantic Conference, do Chicago Council on Foreign Relations (Marbella, Espanha). Atua, também, como membro efetivo do Conselho MERCOSUL do Instituto de Relaciones Europeo-Latinoamericanas – IRELA (Madrid).

Em 1993 desliga-se da Ericsson e volta a atuar na esfera diplomática, agora como Representante Pessoal do Presidente da República, inicialmente do Presidente Itamar Franco, convidado a chefiar a seção brasileira da Comissão de Vizinhança com a Colômbia para tratar da colaboração nas áreas de fronteira, e, no ano seguinte, a delegação do Brasil à Conferência Mundial sobre População, realizada no Cairo. Em 1995 é designado pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso para representá-lo no Grupo de Chefes de Estado e de Governo de Apoio ao Multilateralismo (Grupo Carlsson) e, no ano seguinte, para chefiar a delegação à Conferência Mundial sobre o Habitat em Istambul.

Em 1996 é eleito Secretário Geral da União Latina, organismo internacional que trata da proteção e difusão dos idiomas e das culturas de expressão latina, sediado em Paris, onde, entre outras atividades relacionadas com o Brasil, instituiu o Prêmio União Latina de Tradução Científica para o Português, em cooperação com a Câmara Brasileira do Livro, iniciou um programa de formação em técnicas cinematográficas e recuperação de películas, para estudantes brasileiros, em cooperação com a Cinémathèque Française e organizou um amplo programa de intercâmbio de exposições de artes plásticas entre o Brasil e os demais países membros, com destaque para a maior exposição de arte barroca brasileira realizada no exterior, na capital francesa (Petit Palais, 1999-2000). A União Latina encerrou suas atividades em 2012.

Regressa definitivamente ao Brasil em 2001, passando a dedicar-se exclusivamente à atividade literária.Em 2004 foi eleito Presidente do Pen Clube do Brasil. É Vice-Presidente da Fundação Miguel de Cervantes de Apoio à Leitura, membro do Conselho Editorial da Revista Poesia Sempre da Fundação Biblioteca Nacional, e do Conselho Técnico da Confederação Nacional do Comércio, Indústria e Turismo (CNC).

Condecorações recebidas

Nacionais: Grã-Cruz na Ordem do Rio Branco; Grande Oficial nas Ordens do Mérito Naval, do Mérito Militar, do Mérito Aeronáutico e do Mérito das Forças Armadas; Medalhas Lauro Muller (do Ministério das Relações Exteriores), do Pacificador, do Mérito Tamandaré e do Mérito Santos Dumont.

Como reconhecimento do papel desempenhado pela delegação do Brasil na UNESCO em favor da inclusão de Olinda na lista do Patrimônio Cultural da Humanidade, recebeu, da Municipalidade de Olinda, Pernambuco, em 1978, a Comenda da Ordem do Mérito dos Caetés.

Estrangeiras: Grã-Cruz da Ordem do Mérito da Alemanha; da Ordem da Águia Asteca do México, da Ordem Acadêmica do Direito, da Cultura e da Paz, do México, da Ordem Francisco de Miranda da Venezuela e da Ordem ao Mérito por Serviços Distinguidos, do Peru. Grande Oficial da Ordem de São Miguel e São Jorge, do Reino Unido; da Ordem do Mérito da Itália; da Ordem do Tesouro do Japão; das Ordens do Cristo e do Infante Dom Henrique, de Portugal; e da Ordem Nacional do Leão, do Senegal. Comandante da Ordem Nacional da Costa do Marfim e da Légion d'Honneur, da França. É Membro do Conselho de Administração da Associação dos Membros da Légion d’Honneur no Brasil.