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Artigos

  • Acabou a brincadeira

    O Globo, em 08/07/2018

    No bom sentido, é claro, pois todo mundo sabe que futebol é coisa séria. E nada mais exemplar do que o jogo de ontem. Todos os ingredientes de uma decisão dramática estavam lá, desde o herói improvável que se transformou em vilão, o brasileiro Mario Fernandes, que abriu mão de jogar na seleção de seu país para se naturalizar russo, em agradecimento à recuperação do alcoolismo, logo na terra em que o índice de alcoolismo é um grave problema social.

  • A tensão do pênalti

    O Globo, em 05/07/2018

    “O pênalti é tão importante que deveria ser batido pelo presidente do clube”. A frase famosa, atribuída ao treinador de futebol de praia no Rio e filósofo do futebol Neném Prancha, ganha dimensão nessa Copa da Rússia, que passou a ser a que mais teve pênaltis de todas já realizadas.  Foram marcados 24 pênaltis nos 48 jogos disputados na primeira fase, a de grupos. Nos Mundiais comparáveis, com 32 seleções a partir de 1998, o número máximo de penaltis foi de 18 nos 48 jogos realizados, como em 1998 e 2002.

  • A globalização da emoção

    O Globo, em 03/07/2018

    Sobraram poucas estrelas na Copa do Mundo a esta altura, e Neymar parece estar reencontrando seu jogo, depois da cirurgia. Pode reafirmar sua condição de especial, e comandar a renovação dos líderes do futebol, ao lado de Mbappé. Aliás, o ataque do Paris Saint Germain marcou cinco gols até agora nas oitavas, dois de Mbappé, dois de Cavani e um de Neymar, o que mostra que está a caminho de tornar-se um dos grandes clubes do futebol globalizado.

  • Lenin, a ausência presente

    O Globo, em 01/07/2018

    A ausência mais presente na Rússia é a de Lenin. Está por toda parte, em frente ao estádio Lujiniki, palco da partida final da Copa do Mundo, nas estações de metrô, até o Rolls Royce que usava está em exibição no Museu Histórico. Mas as lembranças nada significam no país atual, são relíquias turísticas, não saudades do passado como a ausência presente pode significar.

  • Batucada na praça Pushkin

    O Globo, em 28/06/2018

    Se não é estranho ouvir, depois da vitória da seleção brasileira, uma batucada à meia-noite na praça Pushkin, muito menos ainda na Praça Vermelha, onde os torcedores de todo o mundo se reúnem após cada jogo em perfeita harmonia, não é banal ver duas moças andando a cavalo à mesma hora pelas ruas de Moscou, tranquilamente esperando o sinal abrir. A praça Pushkin é uma das muitas homenagens ao poeta Alexandre Pushkin, considerado o fundador da moderna literatura russa.

  • As novas limusines

    O Globo, em 26/06/2018

    Uma das faces mais visíveis da Rússia da era Putin é a ostentação de seus novos ricos. Principalmente em Moscou, onde o Brasil joga amanhã no último compromisso da fase de grupos da Copa do Mundo, uma das cidades do planeta com maior número de bilionários. A única vez em que estive em Moscou foi em julho de 1989, a União Soviética ainda existia, mas já havia sinais de deterioração. 

  • O futebol como metáfora

    O Globo, em 24/06/2018

    A seleção de futebol da Rússia está prestes a se classificar para as oitavas de final da Copa do Mundo, o que só aconteceu em 1986, quando ainda existia a União Soviética.

  • Noites brancas na terra de Putin

    O Globo, em 21/06/2018

    A seleção brasileira joga amanhã em São Petersburgo um dia depois do começo oficial do verão, o que significa nessa parte do mundo noites mais longas e dias mais curtos. Hoje, com o solstício de verão começando às 10h07m, teremos o dia mais longo do ano. As famosas “noites brancas”, que dão o título e a ambientação de um romance de Dostoiévski, e tornam essa época do ano uma atração turística a mais em regiões do hemisfério norte, momento em que o sol está mais próximo da Terra.

  • Identidade contra violência

    O Globo, em 19/06/2018

    O formidável aparato de segurança montado para a Copa do Mundo que acontece na Rússia tem razões politicas internas e externas. O perigo de atos terroristas é real, a ponto de a embaixadas dos Estados Unidos e países europeus terem sugerido a seus cidadãos que não viessem à Copa. O que não impediu que os americanos fossem os maiores compradores de ingressos entre os estrangeiros, seguidos dos brasileiros.

  • E se o Brasil for campeão?

    O Globo, em 17/06/2018

    Se o Flamengo for campeão brasileiro, e a seleção campeã do mundo, até o Temer se reelege. A frase retumbante me foi dita pelo produtor Luis Carlos Barreto, flamenguista doente, que teme essa mistura de resultados. Não deveria, pois já é consabido que o futebol não dá voto a ninguém, embora os políticos cismem de se aproveitar dele. 

  • O ópio do povo

    O Globo, em 14/06/2018

    Apropriando-se de uma máxima do idealizador do comunismo Karl Marx, que dizia que a religião é o ópio do povo, o genial Nelson Rodrigues acusava os esquerdistas modernos de acharem que o futebol, sim, é o ópio do do povo. Bem quisera Vladimir Putin que a frase de Nelson, não a de Marx, fosse verdadeira na Rússia de hoje, quando começa para valer a última etapa do seu projeto de “soft power” em relação à Copa do Mundo de futebol.

  • De Gorbachev a Putin

    O Globo, em 12/06/2018

    Se pudesse escolher melhor situação dias antes da abertura da Copa do Mundo, Vladimir Putin não faria por menos: Trump, alegadamente para mostrar-se forte diante do ditador norte-coreano Kim Jong Un, desmoralizou os demais presidentes do G-7 não assinando a declaração final do encontro, e dizendo que ele teria mais relevância se a Rússia estivesse presente.  

  • O poder suave do futebol

    O Globo, em 10/06/2018

    A Copa do Mundo de futebol que começa dia 14 confirma a tendência dos últimos anos de os países do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) usarem os grandes eventos esportivos internacionais para reforçar sua imagem política.  

  • Sindicatos em xeque

    O Globo, em 08/06/2018

    O fim da contribuição sindical obrigatória, estabelecido pela reforma trabalhista recentemente aprovada no Congresso, está em disputa no Supremo Tribunal Federal (STF), onde existem 15 ações contra a medida, de sindicatos e confederações que se julgam prejudicados, e uma da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert), que entrou com uma Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) pedindo que o STF reconheça dispositivo que tornou facultativo o desconto da contribuição sindical.

  • Autoindulto

    O Globo, em 07/06/2018

    A Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, foi a responsável por fazer valer uma antiga jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) de permitir a investigação de um presidente por fatos não relacionados ao seu mandato.