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Artigos

  • Nelson Pereira dos Santos uma Despedida

    Comunità Italiana, em 24/05/2018

    É um momento de não rara dificuldade, querida Ivelise, colegas e familiares de Nelson Pereira dos Santos, porque se espera que o Presidente cumpra o rito, pronuncie poucas palavras,  corifeu de um coro antigo, que traduza, quanto possível, o sentimento da Casa, dos companheiros e de quantos se reúnem em torno da figura luminosa de Nelson Pereira dos Santos. 

  • Fio do Tempo

    O Globo, em 02/05/2018

    A História me fascina desde a infância. Era, antes de tudo, uma visão monumental, um grande afresco nas paredes do tempo, no qual grandes impérios emergiam do nada e para o nada se apressavam a passos largos.

  • Na Catedral de Colônia

    Comunità Italiana, em 18/04/2018

    No fim de 2017, publiquei, com o teólogo Faustino Teixeira, um pequeno livro sobre os poemas do místico alemão Angelus Silesius (1624-1677). A editora Martelo deu espaço para uma edição bilíngue. Reproduzo uma parte do caderno de notas de minha primeira estadia em Colônia.   

  • Pátria ausente

    O Globo, em 04/04/2018

    Passei a Semana Santa com as cartas de Sêneca. Faminto de consolo e esperança, suas palavras brilham como Sol, depois de vinte séculos. Livres de ilusão, as cartas não cultivam dissabores, antes produzem um sentimento de autonomia e liberdade diante dos reveses destino e da humana condição.

  • Os Indiferentes

    O Globo, em 07/03/2018

    Como chegar ao Rio de Janeiro de agora, e a uma pálida ideia de futuro, senão pelo desenho das crianças? Dão início às primeiras tentativas de traduzir o mundo interno, a espessura dos afetos, o modo pelo qual se inscrevem no corpo da mãe e da casa que coincidem. E depois o desenho do quintal e arredores, uma porta, duas janelas. No alto, à esquerda, como a proteger a casa, um sol radiante. Uma árvore, bem entendido, as primeiras imagens do rosto e da família.  A cidade e o mundo são a última fronteira da subjetividade, no tempo em que dobrar a esquina era uma conquista sem precedentes.  

  • Não Perca seu Latim

    Revista Comunità Italiana, em 21/02/2018

    Tenho especial ligação com esee livro, desde o fim da minha adolescência, quando me entregava, com rigor e apetite autodidata, aos encantos do latim. E o fato não se limitava a uma serie de saltos mortais, ou carpados, exigidos pela gramática, árdua e fascinante, bem entendido. Buscava os rastros de um mundo novo, fruto do intocável frescor de que goza a antiga juventude dos deuses. Língua e literatura mostravam-se para mim, desde então, como conjuntos indissolúveis, que não se podiam afastar sob um método esquizolinguístico. Sentia-me bem com o livro Urbis et orbis lingua, de Vittorio Tantucci, que aprofundava os volumes de nossa conhecida Ars latina, em paralelo com a leitura dos clássicos.  

  • O Diabo e a Carne

    O Globo, em 07/02/2018

    Não posso dissociar Carlos Heitor Cony de meu antigo professor do Salesianos, em Niterói, José Inaldo Alonso. Foi este quem me levou ao romance “Pilatos, fascinado pelo estranho rumor de suas palavras. 

  • Verda Stelo

    O Globo, em 03/01/2018

    A paz não é um maná celestial, mas uma conquista que exige uma ética pública, densa e compartilhada.

  • Juntos

    O Globo, em 06/12/2017

    Uma parte do país respira com escassa quantidade de oxigênio.  Outra, só não foi desenganada pelas virtudes heroicas de nosso povo, na obstinação dos democratas, os que defendem a Constituição. Ou talvez, e mais simplesmente, porque os astros do zodíaco se apiedaram de tantas e seguidas desventuras. 

  • Fluxo Bruto

    O Globo, em 01/11/2017

    Impressiona o nível estarrecedor do debate estético, promovido pela polícia teológica do Congresso, porta-vozes da vanguarda do mais puro retrocesso. A resposta precisa ser dura e por vias judiciárias, porque o protofascismo em que vão imersos não conhece limites. Merecem igual atenção por parte da sociologia e da psiquiatria. Não seria tampouco inútil indagar a tímida presença da arte nas escolas. É um imperativo categórico recuperá-la para a cidadania. 

  • Mignone 120

    O Globo, em 04/10/2017

    O Teatro Municipal do Rio me conquistou na juventude. Parte da minha vida se divide em antes e depois de alguns concertos e óperas. Uma espécie de memória afetiva prende-me àquele território, na forma de protesto ou entusiasmo, recusa e adesão, jamais indiferente às suas temporadas. Estudava as partituras ao piano, depois de acabar com os discos de vinil de tanto ouvi-los.  

  • Em Nome de Quem?

    O Globo, em 06/09/2017

    O governo Temer assume uma atitude cada vez mais distante da realidade. Atribui a si mesmo o papel de novo redentor do Brasil. Pretende-se ilibado, como seus “apóstolos”, cuja sublime presença seria capaz de romper o círculo vicioso da crise, de que ele é parte não assumida.

  • Missa de Réquiem

    O Globo, em 02/08/2017

    Não me alegra a ideia de perdedores na política, nem me rejubilo com a epidemia prisional que se abate no país. Seja no cumprimento da justiça ou como irresistível ânsia predatória, diante de uma Suprema Corte altamente politizada ou partidária. Tampouco festejo o impeachment considerado como antídoto de nossa imensa crise, segundo pregam partidos de exuberante narcisismo.

  • A Náusea

    O Globo, em 05/07/2017

    Na companhia de Pantagruel, famoso personagem de François Rabelais, navego entre as ilhas imaginárias que há séculos deliciam gerações. Abordo primeiro a Ilha dos Ventos, depois a Ilha da Procuração e em seguida a dos Macróbios ou Longevos. E, no entanto, como leitor rebelde, sigo pouco mais ao sul, em busca de novos arquipélagos, não mencionados por Rabelais, mas que poderiam muito bem existir. Penso na Ilha da Mesóclise, regida por Judas II, príncipe do Larapistão. Penso na Ilha dos Escravos, cuja população decidiu abolir a tirania das leis trabalhistas que impedem o crescimento econômico.