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Crime político é o menos provável

 

São várias questões envolvidas na execução dos três médicos nesta madrugada no Rio: uma é a violência na cidade, que fica evidenciada. O governo do estado tem números que indicam a redução de assassinatos, mas a realidade vai contra eles. Uma execução como a que foi feita, na orla da Barra da Tijuca, não é de uma cidade que esteja com a segurança controlada. Não é normal que aconteça, em nenhum lugar do mundo civilizado, numa cidade como o Rio, que se propõe a ser internacional, que recebe turistas do mundo inteiro e tenta reerguer sua economia na base do turismo.

Outra questão é saber exatamente o que aconteceu. Foram executados por engano¿ queriam matar um deles e mataram todos¿ é a máfia das próteses? São ortopedistas e há uma máfia muito grande de vendas de próteses nos hospitais. São paulistas, sem qualquer ligação com o Rio e estavam numa convenção de especialistas. Teriam sido assassinados em qualquer outro estado? A ação era contra eles especificamente, e não uma disputa local de milícias e bandidagem? Nada disso sabemos até agora e precisa ser muito bem investigado. Mas uma cidade em que três pessoas param um carro no meio da rua a uma hora da manhã e executam três pessoas num bar com a calma que fizeram, sabendo que poderiam fazer aquilo sem serem presos naquele momento passa uma sensação de impunidade. A ligação de um dos médicos com políticos do PSOL, que inicialmente foi explorada – muito por causa da morte de Marielle Franco - é a menos provável. É PSOL de São Paulo, não haveria nenhuma razão para isso. Mas este crime precisa ser esclarecido rapidamente para tentar prender os assassinos.

 

O Globo, 06/10/2023