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Artigos

  • Virgínia, a rebelde

    Tribuna da Imprensa (Rio de Janeiro), em 22/11/2005

    Só o rebelde salva o mundo. A frase está no "Journal" de André Gide e aparece, com outras palavras, nos livros de todos os inquietos e inconformados: um Rimbaud, um Francis Thompson, um Graham Green, um Henry Miller, uma Virgínia Woolf. Mais do que revolucionários, foram eles rebeldes, sal da terra.

  • Sexualidade adulta

    Tribuna da Imprensa (Rio de Janeiro), em 15/11/2005

    Era o ano de 1968. Mês de outubro, em cuja primeira ou segunda quintas-feiras a Academia Sueca faz a escolha do Prêmio Nobel de Literatura. Como responsável por uma sessão literária em jornal do Rio de Janeiro, quis saber que autores estariam numa lista de escolha. Só uma pessoa de minhas relações poderia dar-me tal informação: Alfred Knopf, editor americano ligado à literatura brasileira e meu amigo.

  • Presença de Angola

    Tribuna da Imprensa (Rio de Janeiro), em 08/11/2005

    Dou as boas-vindas à escritora angolana Isabel Ferreira, que teve agora seu livro "Fernando D'Aqui" editado no Brasil e vem, com ele, revelar a luta pela adaptação de uma língua européia à literatura nacional de seu país.

  • O mercado e o sagrado

    Tribuna da Imprensa (Rio de Janeiro), em 25/10/2005

    No princípio era o mercado. No princípio e também por todo o sempre que veio depois. Base de um avanço e de um encontro, chão do homem já civilizado, nada supera o mercado como elemento aglutinador por excelência das comunidades que, mesmo heteromorfas quando unidas por interesses e idiomas comuns, precisam de outros pontos de união e reunião, e de permutas, de entendimento eventual e de trocas de produtos. No princípio era o verbo, e este se exercitava comunalmente nos lugares de compra e venda, em que a necessidade absoluta de comunicação aguçava o raciocínio, despertava idéias e provocava planos itinerários.

  • Em busca da verdade

    Tribuna da Imprensa (Rio de Janeiro), em 18/10/2005

    Entre os filósofos dos últimos dois séculos que pensaram em marcar para sempre o nosso pensamento, nenhum está, como Nietzsche, tão perto de alcançar essa meta. Os livros que hoje se publicam sobre ele abarcam todo o vasto campo em que a filosofia se mostra intimamente ligada ao homem como dono do seu destino, ou não.

  • A verdade no palco

    Tribuna da Imprensa (Rio de Janeiro), em 11/10/2005

    Vem o centenário de nascimento de Jean-Paul Sartre provocando um movimento, não só de homenagens, mas também de reavaliação de sua obra, tanto a do filósofo e ficcionista como a do teatrólogo. Da série de reedições que a editora Nova Fronteira vem apresentando, consta a de "As moscas", talvez o texto de teatro mais forte do autor.

  • Jornalismo e literatura

    Tribuna da Imprensa (Rio de Janeiro), em 04/10/2005

    Há mais de meio século escrevi uma série de artigos sobre um tema que me apaixonava: Jornalismo e Literatura. Trabalhava eu, naquele tempo, em jornal, onde cheguei a fazer de tudo: editorial, crítica literária, crítica de teatro e de cinema, crônica, reportagem, inquéritos, coluna social, cobertura de futebol (fiz artigos diários no decorrer da Copa de 50) e até um consultório sentimental.

  • A palavra poética

    Tribuna da Imprensa (Rio de Janeiro), em 27/09/2005

    A poesia é, neste País, das realidades mais vivas e revolucionárias que temos. Volta e meia, poeta novo começa a fazer versos e a sacudir a mesmice do momento. Ou grandes poetas de ontem - então de sempre - rompem sua própria rotina e renovam sua linguagem. Às vezes poetas de uma geração passam desapercebidos até que, de repente, ressurgem para atingir uma nova etapa da palavra posta em verso. É o que vejo na poesia de Jurandir Bezerra, cujo livro chamado "Os limites do pássaro" é o melhor exemplo dessa permanência.

  • Érico Veríssimo: 100 anos

    Tribuna da Imprensa (Rio de Janeiro), em 13/09/2005

    Nascido em 1905, foi nos anos 30 do século passado que o nome de Érico Veríssimo começou a figurar como sinônimo de literatura brasileira. Depois de romances que, no Brasil e no exterior, revelaram nele um grande talento de narrador - inclusive através do contraponto de "Caminhos cruzados" e do traço romântico de "Olhai os lírios do campos" - foi ele de tal maneira se assenhorando, gradualmente, de todos os segredos inerentes à arte de Cervantes, que se preparou para chegar, em "O tempo e o vento", à posição de grande romancista de um tempo.

  • Um livro e uma cidade

    Tribuna da Imprensa (Rio de Janeiro), em 23/08/2005

    Há cidades que também são personagens. E há escritores que as pegam de jeito para transformá-las em presenças quase humanas e colocá-las como partícipes de uma história erguida com palavras. Outra coisa não fez Jorge Amado ao afeitar sua Ilhéus para que nela Gabriela e seus companheiros de tempo vivessem suas aventuras. Antes dele, Manuel Antônio de Almeida criara seu Leonardo num Rio de Janeiro que nunca mais deixaria de existir exatamente como o romancista o havia concebido.

  • Livro de uma geração

    Tribuna da Imprensa (Rio de Janeiro), em 16/08/2005

    Completa agora 60 anos o livro de Antônio Fraga, "Desabrigo". Quando o lancei, na editora Macunaíma, que Ernande Soares e eu fundamos, com o próprio Fraga de sócio, sabíamos que se tratava de uma novidade literária de tal atitude que o mais natural seria ela passar desapercebida. Como passou.

  • O centenário de Sartre

    Tribuna da Imprensa (Rio de Janeiro), em 09/08/2005

    Nascido em 1905 está Jean-Paul Sartre sendo este ano homenageado, analisado, reeditado, não só como romancista e teatrólogo, mas também, e principalmente, como filósofo. De sua ficção, acaba a Nova Fronteira de reapresentar sua trilogia "Os caminhos da liberdade" que consta dos seguintes títulos: "A idade da razão", "Sursis" e "Com a morte na alma". O livro em que Sartre chegou mais longe na defesa de uma postura filosófica foi "O ser e o nada" (publicado pela Editora Vozes).

  • O símbolo em Clarice

    Tribuna da Imprensa (Rio de Janeiro), em 02/08/2005

    Dois livros novos de Clarice Lispector vêm reafirmar a poderosa presença dessa escritora em nossa literatura. Um deles, "Aprendendo a viver", de 128 páginas, consta de textos extraídos de livros seus, cada um valendo por si, independente do contexto, de que foi extraído. Eis um deles: "Uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente". Outro: "Você de repente não estranha de ser você?" E este: "Mas eu não sabia que se pode ser tudo, meu Deus!"

  • A marca do fim

    Tribuna da Imprensa (Rio de Janeiro), em 26/07/2005

    Há menos de um mês, em encontro organizado por Cândido Mendes de Almeida em Paris, coube-me falar na Sorbonne, sobre "O romance no Brasil". Depois de uma introdução rápida sobre as raízes da arte de narrar, estudei a obra de dois narradores seminais da nossa literatura - José de Alencar e Manuel Antônio de Almeida - fixando-me, em seguida, em Machado, Raul Pompéia e Aloísio de Azevedo, para chegar a Rachel de Queiroz, Jorge Amado, Graciliano, Adonias, Lúcio Cardoso, Otávio de Faria, Clarice Lispector, Cornélio Pena, João Guimarães Rosa, Érico Veríssimo, José Sarney, Ciro dos Anjos, Antônio Calado, Ariano Suassuna, Nélida Pinõn, Inácio de Loyola Brandão, Campos de Carvalho.

  • A verdade da ficção

    Tribuna da Imprensa (Rio de Janeiro), em 19/07/2005

    Poucas vezes pôde a declaração do título acima ser tão bem aplicado como no julgamento do romance de José Nêumanne, "O silêncio do delator". Lendo-o, somos obrigados a reconhecer que a força da ficção é capaz de fixar para sempre uma realidade veemente do tempo.