A cotação do barril do Brent nesta segunda-feira chegou a bater US$ 116. Depois, caiu para US$ 107. Essa instabilidade mostra que não se sabe exatamente qual é o cenário do conflito entre Estados Unidos e Irã hoje. Ninguém sabe quando o preço do petróleo vai se estabilizar e isso é fundamental para qualquer análise econômica.
A questão é que as informações são sempre muito contraditórias em qualquer guerra, mas, com Donald Trump, fica pior. Ao mesmo tempo em que ele diz ter feito progressos importantes na negociação com o Irã, ameaça realizar novos ataques à infraestrutura de petróleo, de sinalização e de água, caso o acordo não avance imediatamente.
Além disso, há movimentação de tropas. A imprensa americana como o New York Times e o Washington Post acompanha a chegada de mais militares. Uma escalada com presença física aumenta a imprevisibilidade da guerra. O invasor enfrenta a dificuldade de não conhecer o terreno. Quem conhece o terreno é o dono da casa. E os Estados Unidos têm um histórico longo de problemas e fracassos em operações desse tipo por terra.
As declarações contraditórias aumentam a incerteza e, consequentemente, a dificuldade para a economia. A economia não convive bem com incerteza: não se fecham negócios, não se tomam decisões, não se investe, não se contrata. Tudo começa a ficar paralisado diante desse cenário.
Trump havia dito que seria um conflito fácil e rápido. Já se passou um mês, e não há horizonte. A cada momento, surgem novas notícias negativas e relatos de destruição de infraestrutura de produção.
O Irã tenta elevar o custo econômico da guerra, tanto com o fechamento o Estreito de Ormuz quanto com os ataques à infraestrutura. Há ainda outras possibilidades de bloqueio por rotas alternativas, que vêm sendo utilizadas, mas que também começam a ser comprometidas.