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Artigos

  • Exterminando o nosso futuro

    O Globo, em 15/08/2018

    No último fim de semana a imprensa noticiou que uma bala perdida atingira uma senhora de 61 anos no leito de um hospital e, com o projétil alojado na cabeça, ela corria o risco de ficar cega do olho direito. “Quando a gente imaginou que ia acontecer isso comigo?”, ela exclamou para o filho após a cirurgia para reconstrução dos ossos do rosto.

  • Uma garota de 90 anos

    O Globo, em 11/08/2018

    Alguns dirão que se trata de uma coluna em causa própria — a dos velhos. Pode ser. Afinal, o tema está na moda. No próximo dia 21, haverá aqui no jornal o seminário “Envelhecimento além das rugas”, com a participação de uma dezena de conhecedores do assunto.

  • Se elas não sabem...

    O Globo, em 08/08/2018

    ...imagine nós, homens. Falo por mim, que consulto a minha sobre qualquer coisa importante. A atual indecisão das mulheres em relação às eleições é recorde, e essa inapetência eleitoral explica muito do estado de (des) ânimo geral. Afinal, elas são 52,5% do eleitorado, ou seja, a maioria que determina o resultado final.

  • Só Freud explica

    O Globo, em 04/08/2018

    Nestes tempos de incongruências e contradições, algumas perguntas são inevitáveis para tentar explicar certos comportamentos coletivos na hora de decidir.

  • O mês da má fama

    O Globo, em 01/08/2018

    Tomara que o agosto que começa hoje não confirme a má fama que acumulou ao longo da História, ao servir de cenário de acontecimentos nefastos como alguns dos que têm reforçado a crença supersticiosa.

  • Os contos do vigário

    O Globo, em 28/07/2018

    O Doutor Bumbum e a Paty Bumbum não foram os primeiros e nem serão os últimos a aplicar o velho e popular conto do vigário. A expressão caiu em desuso; mas a prática, não, como prova a intensa atividade de ilícitos do médico Denis Furtado e da falsa médica Patricia Silvia dos Santos, agora presos.

  • A música como bálsamo

    O Globo, em 25/07/2018

    ‘Nós estávamos precisando”, exclamou uma senhora depois dos “Dois concertos”, de Nelson Freire, no domingo, num superlotado Teatro Municipal. Na véspera, eu ouvira mais ou menos o mesmo depois do musical “Minha vida daria um bolero”, no Sesc Ginástico.

  • Engano de pessoa

    O Globo, em 21/07/2018

    Na crônica “Patetice”, Luis Fernando Verissimo conta como em um jantar na casa de Marcos Azambuja, então embaixador brasileiro em Paris, sentou-se ao lado de Nelson Freire, com quem conversou longamente como se fosse Miguel Proença. “Ele não acusou a gafe e respondeu educadamente a todas as minhas perguntas sobre o domicílio, a agenda de concertos e a vida pessoal do Proença, sem dúvida recorrendo à ficção”. O nosso genial pateta só acertou o instrumento que os dois tocam magistralmente: piano

  • Nada mais espanta

    O Globo, em 18/07/2018

    Não só não espanta como sequer surpreende. Se o Brasil é a terra dos contrastes e contradições, como já foi classificado, o Rio de Janeiro é a sua capital, onde o absurdo e o paradoxo são lugares-comuns. Aqui, o desvio é norma, o crime, uma rotina e o caos urbano, o pão nosso de cada dia. Em cinco meses, a intervenção federal, que veio para resolver a questão da segurança, não só não conseguiu, como permitiu que casos graves tenham aumentado. 

  • O fim do recreio

    O Globo, em 14/07/2018

    É hoje e amanhã só. Uma pena, porque mesmo sem contar com a seleção do Brasil na fase final, a Copa acabou servindo como distração desse nosso cotidiano tão cheio de más notícias. Segundo meu instituto de pesquisa, ficamos frustrados, tristes, um pouco irritados, mas não deprimidos. De repente, todos viramos croatas ou croativics e passamos a torcer com a maior intimidade por jogadores com essa rima insólita: Modric, Rakitic, Mandzukic, Perisic, Strinic, sem saber de seus gestos e atitudes nazifascisas.

  • Às favas os escrúpulos

    O Globo, em 11/07/2018

    Mesmo em época de despudor generalizado e condutas públicas inescrupulosas, Marcelo Crivella conseguiu se destacar, atraindo críticas, três pedidos de impeachment já protocolados na Câmara dos Vereadores, investigação do MP e o repúdio do Cremerj (Conselho Regional de Medicina do Rio), “pelo desrespeito a milhares de cidadãos que estão na fila aguardando cirurgias e outros procedimentos”. Como O GLOBO publicou, o prefeito reuniu secretamente no palácio 250 fiéis e pastores evangélicos para lhes apontar o caminho fácil de privilégios indevidos.

  • Lembrando um mártir

    O Globo, em 07/07/2018

    A recente condenação do Estado brasileiro pela tortura e morte do jornalista Vladimir Herzog, em 1975, durante a ditadura militar, veio lembrar o que alguns ainda querem negar — que crimes contra a humanidade eram então cometidos por torturadores, um dos quais é hoje exaltado por um candidato à Presidência da República.

  • O ‘goooooool’ e o orgasmo

    O Globo, em 04/07/2018

    Durante a transmissão do jogo Brasil x México, um amigo de esquerda pedia, como se estivesse se dirigindo aos colegas mexicanos: “Já que vocês ganharam a eleição, deixem agora a gente ganhar o jogo”. Ainda estava 0 x 0, e ele se referia à histórica vitória, na véspera, do candidato esquerdista Andrés Manuel López Obrador (AMLO, como é chamado), o primeiro a chegar ao poder em seu país, contrariando a onda conservadora que varreu a América Latina.

  • Cenas de uma guerra inútil

    O Globo, em 30/06/2018

    Que a vibração com a eliminação da Alemanha e com a vitória do Brasil sobre a Sérvia não nos deixe iludir: o Rio continua em guerra. Esta semana mesmo, num intervalo de 15 horas, dois policiais foram mortos e dois baleados. Se não bastasse, a Câmara dos Vereadores transformou-se num campo de batalha, com os confrontos que deixaram duas professoras feridas por balas de borracha e estilhaços de bombas.

  • Crime e castigo

    O Globo, em 27/06/2018

    Com quem você acha que o brasileiro realmente se identifica — com aqueles torcedores machistas e cafajestes que assediaram e humilharam uma jovem russa que, sem entender português, foi levada a repetir termos chulos e ofensivos, como se tratasse de uma inocente brincadeira, ou com os que, em número muito maior, se indignaram com o revoltante comportamento?