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Artigos

  • Não há motivo para rir

    O Globo, em 05/02/2015

    A foto da primeira página do GLOBO de segunda-feira, dia 2, mostra o presidente eleito da Câmara dos Deputados eufórico, a gargalhar, cercado pelos eleitores também álacres, punho esquerdo para o alto, numa demonstração de euforia pela vitória alcançada, parecida com a das torcidas de futebol quando os seus times derrotam os adversários.

  • O Rio, na liderança da imprensa

    Jornal do Commercio (RJ), em 23/01/2015

    Às vésperas de comemorar os seus 450 anos de vida, o Rio de Janeiro tem na imprensa uma das maiores razões de orgulho: a posição de líder, considerando o conjunto das atividades de mídia impressa, o rádio e a televisão.  É assim muito oportuna a iniciativa da Academia Carioca de Letras, promovendo o seminário que conta com o brilho da participação do jornalista Cícero Sandroni, o mais acariocado  dos paulistas existentes.

  • O livro em cena

    Jornal do Commercio (Rio de Janeiro), em 16/09/2006

    Foi uma idéia das mais felizes - e que se realizou pela terceira vez, em Curitiba - o evento intitulado "Livro em Cena", promovido pelo Colégio Decisivo. Nas magníficas instalações da Estação Embratel Convention Center, na capital paranaense, 1.400 pessoas aplaudiram com muita ênfase as apresentações de membros da Academia Brasileira de Letras, fazendo a análise de escritores de nomeada e que costumam ser citados nos vestibulares. A idéia nasceu com Carlos Heitor Cony.Quem não conhecer particularidades da obra de Ariano Suassuna, por exemplo, está fadado ao insucesso. Desta feita, a análise foi feita do seu clássico O santo e a porca, com o esclarecimento inicial de que o animal referido não é exatamente a fêmea do porco, mas sim um cofrinho de madeira, onde o personagem principal costumava guardar por anos as suas economias, muitas das quais referentes a salários não pagos aos seus funcionários. Coisas bem típicas do simbolismo praticado pelo autor paraibano.Outro desafio foi a lembrança do premiado O pagador de promessas, de Dias Gomes, autor baiano com muito sucesso no Rio de Janeiro - e que morreu precocemente em desastre de automóvel. O ex-marido da campeã Janet Clair adotou uma linha realista como gênero literário. Brilhou na TV, onde o seu "O bem amado" deixou história, com o paradigmático prefeito Odorico Paraguaçu ("vamos deixar de entretantos e partir para os finalmentes"). Na ocasião de discussão em torno dessa obra de grande repercussão, lembramos suas semelhanças com o clássico "O coronel e o lobisomem", de outro renomado acadêmico da nossa literatura: José Cândido de Carvalho. O curioso é que a ambiência deste último é a cidade de Campos dos Goytacazes, enquanto o escritor baiano criou uma cidade fictícia, que pode ter se situado no interior do seu Estado. Pura coincidência? Vamos deixar que corra essa versão mais cômoda.Nélida Piñon falou, a pedido dos diretores Índio do Brasil e Jacir Venturini, a respeito de D.Casmurro, uma das maiores obras de Machado de Assis, e o pequeno mas consistente livro de José de Alencar intitulado Como e porque sou romancista. É um texto que nasceu como folhetim, num jornal do Rio, mas que sintetiza tudo o que deve conhecer um candidato a escritor, com pendores para o romance. Por essa razão, Alencar é considerado o pai do romance brasileiro. Foi muito aplaudida, como sempre, pelo seu poder de síntese e a forma apaixonada como se refere è literatura brasileira, sendo ela uma das nossas autoras mais conhecidas lá fora, detentora de vários prêmios, especialmente no mundo hispânico.O professor Juarez Poletto, mestre querido de Literatura dos alunos do Colégio Decisivo, deu a sua colaboração, arrancando aplausos dos alunos por sua magnífica análise crítica de Leão de Chácara e Muitas Vozes. Depois do almoço foi a vez do acadêmico e jornalista Cícero Sandroni, hoje Secretário Geral da ABL. Discorreu com muita propriedade sobre Memórias de um Sargento de Milícias e Terras do Sem Fim.Como fecho de ouro, Lygia Fagundes Telles. Tem um enorme prestígio no Paraná. Falou sobre Meus Poemas Preferidos e Seminário dos Ratos. Explicou, de forma pessoal, todos os meandros da sua original construção literária. Quando terminou o seu tempo, foi ovacionada. Uma bela e proveitosa ocasião, rara, diga-se de passagem, para a necessária interação aluno-professor.

  • Sobre o passarinho Mario Quintana

    Jornal do Commercio (Rio de Janeiro), em 29/07/2006

    Convidado pela ABL para falar sobre o centenário de nascimento de Mario Quintana, o professor gaúcho Sergius Gonzaga veio de Porto Alegre e, em sessão coordenada pelo acadêmico Moacyr Scliar, discorreu na Sala José Alencar, para um auditório repleto e atento, sobre a obra do grande poeta que, infelizmente, não pertenceu aos quadros da Academia.No correr da sua história, a ABL viu-se obrigada a escolher, em determinadas eleições, entre grandes figuras da literatura brasileira. Mario Quintana concorreu em três ocasiões à ABL nos anos 80, mas as razões eleitorais da Instituição não lhe permitiram alcançar os vinte votos necessários para ter direito a uma poltrona.Em que medida este fato alcança a sua imortalidade? Em nada. A glória que fica, eleva, honra e consola não é privilégio dos quarenta. Grandes nomes da literatura brasileira ausentes do Petit Trianon podem ser contados às dezenas, sem que essa circunstância nem de longe alcance o valor da obra reconhecida pela crítica e pelo público.Este é, sem dúvida, o caso de Mario Quintana. E quando lembro seu verso "enquanto os outros passarão, eu passarinho", penso que talvez tenha sido melhor assim. Quintana passarinho necessitava de mais espaço para o seu vôo, hoje e sempre a encantar todos os que, ao passar pelo efêmero da vida, descobrem a essência da obra imortal.

  • Sob o domínio da imaginação

    Jornal do Brasil (Rio de Janeiro), em 23/02/2005

    Napoleão dizia que a imaginação governa o mundo. Tal afirmação foi recolhida por Paulo Rónai do Memorial de Santa Helena, de Emmanuel Les Cases, e não há por que duvidar dela. Mas não deixa de ser espantoso o fato de o guerreiro e estadista sob cuja espada grande parte da Europa foi governada no século 19, admitir, no exílio, a primazia da fantasia e da fábula sobre a realidade.

  • Monstros contra deuses

    Jornal do Brasil (Rio de Janeiro - RJ), em 04/08/2004

    Sucesso em Hollywood depende menos de talento e mais de estar no lugar certo na hora certa, dizia William Henry Pratt, ator inglês que emigrou para os Estados Unidos em 1913, adotou o nome de Boris Karloff e tornou-se mundialmente conhecido ao interpretar o monstro no filme Frankenstein, do diretor James Whale. O lugar certo para Karloff alcançar o sucesso foi a lanchonete do estúdio da Universal, em Hollywood, onde o diretor Whale tomava chá gelado e, ao vê-lo, impressionou-se com seu rosto.

  • Conversa de bêbado no alto escalão

    Jornal do Brasil (Rio de Janeiro - RJ), em 26/05/2004

    Mesmo nos anos mais duros da guerra, quando os aviões da Luftwaffe despejavam bombas sobre Londres e outras cidades inglesas, Winston Churchill jamais dispensou uma garrafa de champanhe ao almoço e outra ao jantar; uma dose de uísque ao entardecer e duas ou três antes de deitar-se, às duas da manhã. Então metia-se na cama, dizia para si mesmo ''danem-se todos!'' e dormia tranqüilamente, sem sonhar. Alcançar objetivos concretos, na paz ou na guerra, constituía para ele algo melhor do que o sonho. E se a realidade incluísse garrafas de fermentados ou destilados, melhor.

  • Machado de Assis e a Selic

    Jornal do Brasil (Rio de Janeiro - RJ) em, em 31/03/2004

    Qualquer relação entre Machado de Assis e a taxa de juros Selic pode parecer estranha, mas não é. Machadólogos, historiadores e economistas que me perdoem, mas pretendo demonstrar que o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras também pode ser chamado para dar sua opinião no debate sobre as taxas de juros hoje praticadas no Brasil.

  • Em Cuba, com John Lenon

    Jornal do Brasil (Rio de Janeiro - RJ) em, em 18/02/2004

    Quando o poeta Gerardo Mello Mourão regressou de Pequim, onde passou dois anos na condição de correspondente da Folha de S. Paulo, os amigos cobraram dele um livro sobre a China. Com a sabedoria de um mandarim cearense, ele respondeu que, se um jornalista brasileiro vai à China e passa uma semana, na volta escreve um livro. Quando a viagem dura um mês, o sujeito desconfia que há um mundo para ele desconhecido e então só escreve um artigo. Mas se a permanência for de dois anos, no regresso ele não escreve nada; em dois anos dá para perceber que para explicar o planeta China é indispensável viver lá pelo menos dez.

  • Ética e competência continuarão fundamentais

    RIO - Para um jornalista que se aproxima célere dos 75 anos, as mudanças na produção industrial do jornal ocorridas desde a década de 70 do século passado até hoje foram profundas. Para um historiador da imprensa a parte industrializada mudou mais em 30 anos do que 300 dos tempos das impressoras Alauzet e Stanhope que imprimiam os diários do século 17 até hoje.

  • A França volta ao Petit Trianon

    A influência da França na cultura brasileira, notada desde os tempos coloniais, exerceu-se de forma mais aguda após a queda de Napoleão em 1815. No correr do decênio seguinte, partidários do imperador derrotado, perseguidos na restauração dos Bourbon, vieram para o Rio de Janeiro, atraídos por um regime monárquico, mas liberal e constitucional, na promessa do jovem imperador Pedro I.

  • O engraxate de Nabuco

    Entre os presentes à inauguração da estátua de Joaquim Nabuco na Praça Manuel  Bandeira, ao lado do Palácio Austregésilo de Athayde, justíssima homenagem ao grande abolicionista pernambucano sugerida pelo presidente da ABL, Marcos Vilaça, e concretizada pelo prefeito Eduardo Paes, circulava um menino magrinho, bem moreno, com a aparência de 10, no máximo 11 anos, com sua caixa de engraxate. Na forte ventania daquela tarde, a desmanchar os cabelos de damas e cavalheiros, o menino se esgueirava entre os presentes, ágil, mas sem esconder o temor de ser repreendido por incomodar gente importante. Na insistência em sobreviver, ele repetia, a frase típica dos profissionais do seu ofício: "Vai uma graxa, doutor?"

  • A emoção de uma doação

    A Academia Brasileira de Letras (ABL) recebeu na semana passada a doação de uma Biblioteca inteira, de 8 mil livros, feita por Eleonora de Menezes, viúva do professor Maurício Bret de Menezes. A doação foi recebida durante uma sessão plenária da ABL, presidida por Cícero Sandroni na presença de 23 acadêmicos, e que teve detalhes comoventes, que merecem ser contados.