Academia Brasileira de Letras

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Coedições ABL

Academia Brasileira de Letras, Academia Paulista de Letras e Imprensa Oficial. Sonetos de Guilherme de Almeida. 2ª edição. (2008. 144 pp.).

Aqui estão reunidos os sonetos constantes em Toda a Poesia (tomos I, 2, 5 e 6), de Guilherme de Almeida, “observada a ordem cronológica da composição, e não a da publicação dos vários livros”. A Iª edição dos Sonetos de Guilherme de Almeida (Martins, 1968) não registrou as datas originais e a procedência de cada soneto.

O Sumário, ausente na Iª edição, relaciona no início 8 sonetos avulsos e, a seguir, os sonetos em blocos correspondentes às obras de origem, com o período de abrangência de cada uma delas. O Índice dos primeiros versos, no final do volume, segue uma única ordem alfabética.

 

Academia Chilena de la Lengua / Academia Brasileira de Letras. Vicente Huidobro e Manuel Bandeira - Ensaios de Carlos Nejar e Juan Antonio Massone. Revisão, tradução e versão Helena Ferreira. Vicente Huidobro y Manuel Bandeira - Ensayos de Carlos Nejar e Juan Antonio Massone. Tradución al español por Patricia Tejeda Naranjo.

Vicente Huidobro, "famoso poeta chileno" (a frase é do cineasta Luis Bunuel), nasceu em Santiago do Chile, em 1893, e faleceu em Cartagena, de derrame cerebral, em 1948. Estando escrito em seu túmulo: "Aqui jaz o poeta Vicente Huidobro/ Abri a tumba! No fundo da tumba sevê o mar." E o Chile é um país de prodigiosos poetas como Gabriela Mistral, Pablo Neruda, Nicanor Parra e Gonzalo Rojas. E o teórico do criacionismo, entre os crentes da seita da melhor poesia, destaca-se sobre todos pelo radicalismo com que perseguiu o novo, o insólito, guardando a terrível solidão de um inventor que se enveredou pelo desconhecido. Certo de que "o poeta é um pequeno deus", tentando gerar o mundo à sua imagem. (Carlos Nejar)

Manuel Bandeira Filho nació en Recife, en eI nordeste brasileno, e119 de abril de 1886 y falleció en Río de Janeiro e113 de octubre de 1968. La poesía de Bandeira posee variadas y ricas vetas de experiencia, a Ia vez que un espíritu acogedor de pequenos sucesos, de elementos reconocibles y de variopintas resonancias. En esa escritura de rebanadas que es Ia suya, destaca una poderosa voz con que familiariza eI mundo. Nada más ajeno de él que el hermetismo o Ia crispación misántropa, aquella que se complace en cifras y vericuetos sólo para iniciados. Habla de este mundo, transformándolo en variables ritmos y predilecciones en Ias que se juega un modo de sery de existir. Arte de aflrmación sin más, solo que con Ia flexibilidad de quien aúna rotundidades y alusiones en fragmentos de habla. (Juan Antonio Massone) Leia esta obra na íntegra.

 

Ed. Fiocruz / Academia Brasileira de Letras Rondonia - Anthropologia - Ethnografia, de Edgard Roquette-Pinto. 7ª edição. Prefácio à 7ª edição: Acadêmico Alberto Venancio Filho

RONDÔNIA

Edgard Roquette-Pinto: médico, sonhador, antropólogo, educador, radialista, escritor, cineasta bissexto, brasiliano. Num homem só, dos trópicos tórridos, único de sua época, raro em qualquer tempo. Criador do rádio educativo no Brasil. Grande impulsionador do cinema educativo. Médico e indigenista. Buscou mostrar o Brasil profundo para os de seu tempo. Talvez não seja exagero afirmar que Rondônia, possivelmente seu livro mais importante, foi um dos pontos de partida dessa linda, comovente e produtiva mistura !

Paulo Marchiori Buss
Presidente da Fundação Oswaldo Cruz

 

Academia Brasileira de Letras e TopBooks. Tempo Diferente de Murilo Melo Filho (2005. 297 pp.).

Murilo Melo Filho integra o núcleo desta geração Manchete, que hoje dá à Academia esta colaboração inédita, de membros vindos de um momento antológico - e dramaticamente fugaz - de um jornalismo inovador no país. Para não falarmos de Josué, Otto, Magalhães Jr., Lêdo, Afonso e Cícero, que também passaram por lá, Murilo participou, ao lado de Niskier e de Cony, desta nova aproximação com o protagonismo brasileiro que permitia a generosidade de páginas e o apuro da cobertura na mídia de Adolpho Bloch.

Em Tempo Diferente Murilo faz o inventário de detalhes da sua convivência com vinte brasileiros que fizeram a diferença, todos balizando a nossa modernidade. De Alceu, Roberto Marinho e Austregésilo a Jânio e Lacerda. O inovador, neste ensaio, é trazer, mais do que o garimpo das entrelinhas biográficas, via de regra saturadas em todos estes vultos-chave, o inesperado flagrante de cada um; o que só ficou no confessionário de Murilo, para além do refinamento do bas de page, ou do simplesmente humano ou pitoresco. Talvez detalhes indicadores de uma urdidura maior, conduzindo o autor ao repertório de uma época.

Existe nestas páginas a caprichosa tessitura de toda uma instigante era da sociedade brasileira, com as revelações de muitos bastidores. Entre os líderes políticos - Getúlio, Jânio, Juscelino - a luta pelo poder. Entre os escritores - Jorge, Drummond, Rosa, José Lins, Otto, Rachel - a batalha pela afirmação. Entre os jornalistas - Chateaubriand, Athayde, Castello, Lacerda, Roberto Marinho - o combate pelo espaço.

Na análise de cada um desses personagens, constrói-se a leitura de um momento brasileiro, graças à pertinácia da memória de Murilo, nas vidas que atravessou com a determinação da sua esplêndida escuta de jornalista. (Candido Mendes na Apresentação do livro.)

 

Academia Brasileira de Letras e José Olympio Editora. A vida literária no Brasil - 1900 de Brito Broca (2005. 400 pp.).

Este livro de Brito Broca é um precioso estudo acerca das relações entre literatura e sociedade e já se transformou em obra de referência em nossa historiografia literária. Lançado em 1956, como parte inicial de um projeto (não implementado) que pretendia percorrer o tema ao longo de todas as fases das letras brasileiras, o livro logo obteve quatro prêmios de repercussão nacional, entre eles o Sílvio Romero, da ABL.

Até hoje, A Vida literária no Brasil -1900 é considerada a obra maior de Brito Broca. Num estilo saborosamente simples, o autor efetua um minucioso registro da formação cultural dos homens de letra do país, ou, quase sinonimamente, do Rio de Janeiro, no período da belle époque.

Nada escapa à veia investigativa de Brito Broca: as reformas urbanísticas da então capital federal, o poder da imprensa nos mecanismos de legitimação literária, a formação de grêmios e associações culturais e artísticas, a expansão do mercado editorial, as interseções entre política e literatura, as idiossincracias dos escritores. Neste particular - o da recuperação da "pequena história", feita de afetos e desafetos, no cotidiano das relações interpessoais - Brito Broca revela-se admirável cronista, enlaçando um rigoroso registro factual a finas percepções da alma humana.

Tal olhar, atento simultaneamente ao fato literário, à sua motivação íntima e à sua circulação social, predomina em grande parcela da vasta produção do autor. Torçamos para que a Vida literária no Brasil - 1900 seja a primeira de uma grande série de reedições que devolvam, em toda a inteireza, a inestimável contribuição de Brito Broca para o mapeamento dos autores, das idéias e dos livros com os quais se tornou possível pensar este país. (Antonio Carlos Secchin na Apresentação do livro.)

 

Academia Brasileira de Letras e EDUSC - Editora da Universidade do Sagrado Coração. A alma de um padre - testemunho de uma vida do Acadêmico Padre Fernando Bastos de Ávila. (2005. 414 pp.).

Este livro é muito mais do que apenas uma autobiografia do Padre Fernando Bastos de Ávila - um sacerdote imbuído de ardor missionário, de formação acadêmica incomum, cidadão legítimo, engajado nos problemas sociais e políticos do seu tempo -, ao apresentar aqui de maneira simples e íntegra o que foi a sua vida de jesuíta, ele tem o intuito de colaborar para o aperfeiçoamento de sua Congregação Religiosa e estimular autênticas vocações.

A alma de um padre não representa a descrição de sua vida cotidiana de sacerdote, mas sim seu coração escancarado, "seus sentimentos, angústias e simples alegrias, certezas definitivas e dúvidas persistentes, aspectos sempre presentes desde sua meninice até os dias de hoje; um testemunho raro de ser encontrado na história da Igreja do Brasil e certamente na da Companhia de Jesus"; uma leve e envolvente narrativa que mostra que um sacerdote é, acima de tudo, um ser humano igual aos outros, mas que dedica sua vida ao próximo por amor a Deus.

 

Academia Brasileira de Letras e Lacerda Editores. História da Literatura Brasileira de Luciana Stegagno-Picchio (2004. 743 pp.).

Com a publicação da História da Literatura Brasileira, de Luciana Stegagno-Picchio, a Lacerda Editores traz ao leitor brasileiro esta obra primordial na história da divulgação de nossa literatura. Escrita por uma italiana, absolutamente inteirada da nossa trajetória cultural e literária e conhecedora profunda da língua portuguesa, esta História se enriquece ainda pelo próprio distanciamento de perspectiva de sua autora, cuja visão se assenta nas fontes primordiais das literaturas ibéricas e de toda a cultura européia. Nome primordial para a divulgação mundial das literaturas de Portugal e Brasil, as quais conhece não apenas nas suas grandes linhas de força, mas inclusive nas minúcias da pequena história e dos nomes secundários. Luciana Stegagno-Picchio é senhora de uma cultura que abarca desde os nomes ímpares de Gil Vicente, de Camões e de Fernando Pessoa, ou de Gonçalves Dias, Machado de Assis e Guimarães Rosa, até este ou aquele esquecido neoparnasiano ou obscuro naturalista. Daí a singularidade desta História da Literatura Brasileira, escrita por uma italiana com uma visão de conjunto da nossa cultura literária raramente encontrada entre nós. (Os Editores)

 

Academia Brasileira de Letras e Livraria Francisco Alves. Francisco Alves - 150 anos (2004. 87 pp.).

Nas próximas páginas desse livro, o leitor será apresentado a uma figura ímpar da história do livro no Brasil, Francico Alves de Oliveira. Conhecerá também a trajetória da editora que leva seu nome e que agora completa 150 anos de ativa produção cultural.

Cabe a mim, como editor e proprietário desta casa, registrar que, apesar da enorme importância do famoso livreiro para a constituição desta empresa fundada por seu tio Nicolau, Francisco Alves faleceu há oitenta e sete anos, e esteve à frente da livraria por trinta e cinco anos, tempo suficiente para fazer dela a mais importante do país, chegando a deter noventa por cento do mercado livreiro no Brasil.

Graças ao esforço e à abnegação de funcionários que por esta casa passaram, seu amor ao livro e especialmente a Francisco Alves, atingimos essa incrível marca. Foram cerca de três mil títulos editados, sendo mil nos anos setenta e oitenta, e que hoje são a base do nosso catálogo.

[...] Hoje, uma empresa novamente sólida, embora ainda longe de ser a empresa que foi no início do século vinte; não só podemos olhar o passado com orgulho, mas, também, o futuro com muito otimismo. (Carlos Leal, Editor).

 

Academia Brasileira de Letras e José Olympio Editora. Forma e alubramento. Poética e poesia em Manuel Bandeira, de Ruy Espinheira Filho (2004. 237 pp.).

Manuel Banderia foi o poeta brasileiro mais lírico e límpido do século XX. Era tanto o mestre da técnica, o cultor da forma, como o iluminado de epifanias. Senhor de uma composição perfeitamente harmônica e de extremo despojamento, foi também um lúcido espírito crítico - nos poemas e na prosa de memorialista, historiador, cronista, articulista, ensaísta. Combativo, não fugia a desafios e polêmicas, o que contraria a imagem de fragilidade que dele se costuma ter. Convivendo com várias gerações de escritores, absorvendo ou rejeitando proposições estéticas, jamais traiu sua sensibilidade ou suavizou o seu juízo crítico. Seu lçegado é rico de lições intelectuais e de vida. Uma vida que viveu em suas formas mais nobres - e luminosos alumbramentos.

 

Academia Brasileira de Letras e Global Editora. Menotti del Picchia Seleção de Melhores Poemas, de Rubens Eduardo Ferreira Frias (2004. 232 pp.).

"Menotti tem sido vítima, por motivos que não são de ordem literária, de uma tenaz campanha de descrédito intelectual. Se Álvaro Lins o colocasse, por exemplo, em face do Sr. Afrânio Peixoto, não poderia negar que se trata de um escritor diferente, pelo menos o romancista que vem de Laís a Salomé. Esse é respeitável... Nele, além do polemista, o observador de costumes nossos é dos mais fortes e ricos. Além disso Menotti teve um grande papel no Modernismo. Esse dinamismo que o próprio Mário atribui a mim deve passar para ele como galardão. Sempre foi o mais ansioso a descobrir, o mais generoso em lançar, o mais ágil na discussão, no panfleto e na luta." (Oswald de Andrade).

 

Academia Brasileira de Letras e Editora Nova Fronteira. Sob a pele das palavras de Celso Cunha. Organização, introdução e notas de Cilene da Cunha Pereira (2004. 461 pp.).

Com a palavra criaram-se e destruíram-se mundos, selaram-se destinos, elaboraram-se ideologias, proferiram-se maldições e blasfêmias, expressaram-se ódios, mas também com ela - e só com ela -, em tantos e tão desvairados povos, falou-se de amor, consolaram-se aflições e elevaram-se preces ao seu Deus. Ela tem sido, através do tempo, a mensageira do bem e do mal, da alegria e da dor.

Se, sob certos aspectos, o filólogo é um guardião da fidelidade das obras do passado, um conservador da memória textual de uma nação, sob outros, ele não passa de um hedonista, que, como os sábios do Renascimento, vive a fruir o prazer de desvendar as intenções do autor, de deslindar os sentidos literais e os mais recônditos de sua palavra escrita. (Celso Cunha).

 

Academia Brasileira de Letras, Editora UFMG e a Editora Nova Fronteira. João Guimarães Rosa: correspondência com seu tradutor alemão Curt Meyer-Clason (1958-1967). (447 pp.).

Se, sob todos os seus disfarces, a estória quer-se parecida à anedota, como disse certa vez o próprio Guimarães Rosa, é porque, na verdade, quer-se inédita, já que um e outro nome querem-se também os mesmos, na origem das palavras. Mas, então, se as estórias não querem ser publicadas, por que desejamos tanto vê-las sob o olhar atento do leitor? Mas, se o próprio autor pede mais de uma leitura para o todo, orgânico e não emendado, para que de outra maneira possa ser compreendido, então não é do que parece ser que estamos falando. Talvez porque anedota e inédito digam antes o originário, o ainda não visto (há muito não visto), ou ouvido, ou pensado, ou sentido e, com isso, porque o resgate dessa novidade confunde o já estabelecido, há uma possibilidade de riso a escanchar "os planos da lógica, propondo-se realidade superior e dimensões para mágicos novos sistemas de pensamento".

A estória da correspondência de João Guimarães Rosa com o seu tradutor alemão Curt Meyer-Clason não havia sido publicada até agora. Essa estória, que como todas as outras quer-se parecida à anedota, nos revela um autor que não pede fidelidade ao original; pede, sim, parceria e recriação constantes. Revela também um tradutor que compreende a sua tarefa como "uma forma sui generis de fazer literatura", poesia acima de tudo. Nessa relação de "irmãos", partida e chegada se misturam nos destinos de Riobaldo e Diadorim e no de todos os personagens que renascem falando uma outra e mesma língua. E aí se sabe: o inédito não é o guardado, o não publicado; é o inesperado que se refaz a cada página e a cada vez que se retorna a essa página; o inédito é a experiência de pensamentos e sentimentos inéditos. O inesperado é o que se deixou de esperar. E a anedota é o mesmo inesperado, embora, cada leitor possa descobrir também, ao acompanhar autor e tradutor, as ocasiões do próprio riso.

João Guimarães Rosa: correspondência com seu tradutor alemão Curt Meyer-Clason (1958-1967) é a realização de um projeto editorial coletivo, desejo de trazer para a luz dos olhares uma estória que certamente pemanecerá inédita e sempre aguardada. Uma parte desse material estava, desde 1973, no arquivo pessoal do escritor sob a guarda do Instituto de Estudos Brasileiros da USP, organizado principalmente pela professora Neuma Cavalcanti. A outra parte estava em Munique, Alemanha, na casa do tradutor que, consciente do valor dessas cartas para o conhecimento do processo de criação e recriação do autor de Grande sertão: veredas, incumbiu a professora Maria Apparecida Bussoloti de reuni-las, compondo um todo igualmente orgânico e não emendado. A Editora Nova Fronteira, a Academia Brasileira de Letras e a Editora UFMG juntaram seus entusiasmos ao projeto, com a certeza de que a publicação deste livro escreve mais uma parte da estória a ser contada de e sobre Guimarães Rosa, de e sobre a literatura, de e sobre a tradução. "A vida é também para ser lida. Não literalmente, mas em seu supra-senso." (Ivan Junqueira na Apresentação do livro).

 

Academia Brasileira de Letras e TopBooks. Homens e coisas estrangeiras (1899-1908). (685 pp.).

Publicados, repectivamente, em 1902, 1905 e 1910, os três volumes que compõem Homens e coisas estrangeiras, do ensaísta, historiador da literatura e Acadêmico José Veríssimo, jamais alcançaram entre nós uma segunda edição, permanecendo assim no mais absoluto esquecimento por quase um século, até que o editor José Mário Pereira, da TopBooks, decidiu reparar essa indigência e, com o apoio da Academia Brasileira de Letras, repõe agora em circulação, pela primeira vez em volume único, essa notável contribuição do autor da História da literatura brasileira e dos Estudos de literatura brasileira, obras que lhe granjearam sólido e duradouro prestígio nos quadros da literatura nacional. Homens e coisas estrangeiras, entretanto, nos dá conta de um outro José Veríssimo, ou seja, de um autor que se mantinha permanentemente antenado com tudo o que, nos domínios das letras e mesmo no das idéias, se produzia para além de nossas fronteiras. Leitor voracíssimo e intelectual de preocupações universais dignas de um scholar de perfil humanístico, Veríssimo analisa aqui autores e temas que decerto não pertenciam ao cardápio de leitura da maioria de seus pares naquela já distante primeira década do século XX. [...] (Ivan Junqueira na Apresentação do livro).

 

Academia Brasileira de Letras e TopBooks Editora. Machado de Assis e Joaquim Nabuco - Correspondência, com organização, introdução e notas de Graça Aranha. Prefácio à 3ª edição de José Murilo de Carvalho. (254 pp.)

A correspondência de Machado de Assis e Joaquim Nabuco, apresentada e anotada por Graça Aranha, ultrapassa em muito o âmbito de conversa protocolar ou particular de amigos, e levanta questões importantes acerca do papel do intelectual e do escritor no período compreendido entre o final do Império e os primórdios da República Velha. [...] Muitos consideram a introdução à correspondência Machado/Nabuco a obra maior de Graça Aranha, e não faltam motivos para isso. Às vezes, sobretudo em decorrência da discreta índole machadiana, as cartas se apresentam como um esboço ou esqueleto a que nosso comentarista acrescenta nervos e consistência, esclarecendo pormenores ocultos na História e desenhando com maestria o perfil psicológico dos dois missivistas a partir de frases certeiramente pinçadas do diálogo epistolar. [...] Destacando-se entre todos os temas, percebe-se como a consolidação da Academia Brasileira de Letras foi, de fato, uma das maiores motivações da vida de Machado. Ainda aqui, revelam-se os dois temperamentos - fraternos mas contrastantes: Nabuco na linha de frente, agitador, propondo e hierarquizando candidaturas, comentando-as abertamente, manifestando-se favorável à inclusão de alguns "notáveis" para comporem o quadro acadêmico; Machado, sereno observador, evitando opinar sobre nomes, e defendendo, acima de tudo, a necessidade de fortalecer a instituição. (Antonio Carlos Secchin na Apresentação do livro).

 

Academia Brasileira de Letras e TopBooks Editora. O Presumível Coração da América da Acadêmica Nélida Piñon.

Esta coletânea de textos avulsos, como se dizia quando os livros eram tomados mais a sério, é uma caixa de surpresas: constitui uma série de ensaios que fascinam até mesmo o leitor familiarizado com o mundo das letras. É um convite que Nélida Piñon nos faz para uma visita guiada ao mundo sempre renovado da criação literária. Percorremos os inumeráveis aposentos dessa maravilhosa morada, e ao cruzarmos uma esquina deparamo-nos com personagens tão familiares como Cervantes, e outros menos conhecidos mas tão surpreendentes como Juan Rulfo. Assim penetramos num universo literário em permanente mutação. Pelas mãos firmes de Nélida, atrevemo-nos a enfrentar o desconforto da "paixão de inventar", conscientes do preço a pagar "pela inexcedível liberdade de criar". Fico devaneando se essa coragem para desvendar o ministério da criatividade não é específica da condição feminina. (Do Acadêmico Celso Furtado, na Apresentação do livro).

 

Academia Brasileira de Letras e José Olympio Editora. Oitava edição do livro A vida de Lima Barreto de Francisco de Assis Barbosa.

A propósito desta oitava edição. Esta é a oitava edição de A vida de Lima Barreto, de 1952. É a primeira a ir a público depois da morte do seu autor, Francisco de Assis Barbosa, em 8 de dezembro de 1991, e traz o livro de volta à José Olympio, editora de origem. O corpo da primeira edição só sofreu modificações ao ser preparada a quinta edição, de 1975, quando a citações passaram a ser remetidas às Obras de Lima Barreto, organizadas por Francisco de Assis Barbosa, em 1956, com a colaboração de Antônio Houaiss e M. Cavalcanti Proença. Até hoje, parte expressiva da obra de Lima Barreto, como os quatro livros de crônica, os dois volumes de correspondência e a crítica contida em Impressões de leitura, não foi reeditada, e por essa razão optamos por manter as referências bibliográficas de origem, apesar de estarem as Obras de Lima Barreto há muito esgotadas.

Passados cinqüenta anos, A vida de Lima Barreto permanece sendo o mais expressivo modelo de biografia escrito no país. Trabalho minucioso de pesquisa que ocupou grande parte da vida do autor, o livro reconstitui a trajetória e a obra de um literato cuja figura física mal se podia conhecer, retratada não mais do que umas três vezes durante sua existência. [...] (Beatriz Resende, outubro de 2002).

 

Academia Brasileira de Letras e Topbooks Editora. Engenho e memória - O Nordeste do açúcar na ficção de José Lins do Rego de Luciano Trigo.

Agraciado com o Prêmio José Lins do Rego da Academia Brasileira de Letras, Engenho e memória - O Nordeste do açúcar na ficção de José Lins do Rego é um ensaio valioso por diversos motivos. Primeiro pela análise estritamente literária da fase mais importante da obra do escritor paraibano - aquela ligada aos engenhos do açúcar, esmiuçada de forma original e perspicaz; segundo, pela demonstração do valor sociológico da ficção de José Lins, não somente pelo entrelaçamento com o pensamento de Gilberto Freyre, seu amigo e mentor, mas sobretudo por refletir, de forma aguda e veraz, a dinâmica social e econômica de um mundo condenado a morrer (e que José Lins resgata pela memória); por fim, por derrubar de forma definitiva uma série de preconceitos sedimentados em relação ao autor de Menino de Engenho, começando pela noção de que se trata de um autor superficial e instintivo. [...] Conceituado jornalista e crítico literário, Luciano Trigo realizou tudo isso com um texto ágil e fluente, que combina sabor e vigor. [...] (Da Apresentação do livro)

 

Academia Brasileira de Letras e Topbooks Editora. A idéia modernista de Wilson Martins.

Escrito nos anos 60 para integrar a coleção A literatura brasileira, da Cultrix, este livro teve cinco edições e estava esgotado desde os anos 80: Este livro focaliza um período que talvez seja o mais importante de quantos compreende a nossa história literária. A seu estudo consagrou Wilson Martins o melhor de seu tirocínio de professor de literatura e crítico militante, realizando a proeza de traçar, em obra de limitada extensão, um roteiro verdadeiramente modelar no que respeita ao critério crítico e seletivo da informação. [...] Pelo rigor de seu espírito de síntese e balanço crítico, A idéia modernista se constitui em leitura indispensável a quantos, estudantes de Letras ou não, se interessem em conhecer um dos períodos mais ricos da literatura brasileira. (Da Apresentação do livro)

 


Academia Brasileira de Letras e Top Books Editora. A Biblioteca de Machado de Assis, organizado por José Luís Jobim.

"Em boa hora, o conteúdo, discutido e analisado, d'A Biblioteca de Machado de Assis, esta valiosa publicação, organizada por José Luís Jobim, está ao alcance dos pesquisadores em literatura e do público leitor em geral. Em um só volume, além das informações detalhadas a respeito do acervo da própria biblioteca de Machado, o leitor terá a ocasião de penetrar no universo machadiano, ou seja, no âmbito de sua contextualização histórica, no eventual horizonte epistemológico subjacente à escritura machadiana, nos fundamentos da polifonia em Machado, cujo caminho é aqui anunciado". [...] (Da Apresentação do Acadêmico Tarcísio Padilha)

 


Academia Brasileira de Letras e TopBooks Editora. Maricota, Bahianinha e outras mulheres, antologia de contos de Ribeiro Couto organizado por Vasco Mariz.

"Foi merecida e oportuna homenagem a edição desta Antologia de Contos de Ribeiro Couto, na altura de seu centenário de nascimento. [...] Nos anos noventa, Ribeiro Couto é recordado sobretudo por sua poesia penumbrista, mas não podemos esquecer sua importante contribuição à nossa literatura como prosador. O mais curioso é que Ribeiro Couto foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 1934, logo no primeiro escrutínio e apenas com 36 anos de idade (o mais jovem acadêmico da época), não tanto pela sua poesia, mas por seu livro de contos Bahianinha e outras mulheres, imenso sucesso literário do momento. Assim, justifica-se plenamente nosso esforço para recordar seus melhores contos." [...] (Da Apresentação de Vasco Mariz)

 


Academia Brasileira de Letras e Editora Top Books. Falares africanos na Bahia da Profa. Dra. Yeda Pessoa de Castro.

Esta é a obra mais completa já escrita sobre as influências das línguas africanas no português do Brasil. Resultado de 40 anos de infatigável e meticuloso trabalho na Bahia, na República Democrática do Congo (ex-Zaire) e na Nigéria, nela se mostra o quanto deve a língua portuguesa - e não apenas em terras baianas - aos numerosos idiomas dos africanos que, embarcados à força para o Brasil, se tornaram nossos ancestrais. (...) Falares africanos na Bahia é um livro de leitura e consulta. Um livro cuja importância é tamanha que não pode estar ausente da estante não só daqueles que se dedicam ao estudo do português do Brasil mas também dos que se debruçam sobre a história da escravidão e formação do povo brasileiro (...). (Da Apresentação do Acadêmico Alberto da Costa e Silva)